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Projeto trabalha prevenção ao suicídio com adolescentes  

Olhar acolhedor, ouvidos atentos e coração aberto. Esses são três ingredientes da receita repleta de empatia que psicólogo Ismael José Silveira tem aplicado nas escolas estaduais de Caieiras, interior de São Paulo. O projeto ‘Tem Alguém Aí?’ está abrindo  portas para um importante diálogo com jovens de 12 a 16 anos, como foco na prevenção ao suicídio. O profissional faz palestras por toda a rede sobre temas como bullying e racismo. Além disso, monta grupos de discussão com os adolescentes.

“Tive essa ideia ao passar por uma situação delicada com uma pessoa muito próxima, que estava se cortando. Percebi que o caso dela não era o único e que por trás disso havia uma grande demanda. Comecei a estudar o assunto e resolvi fazer um trabalho direto com a sociedade”, explica ele, que é voluntário e faz o trabalho em parceria com a Diretoria de Ensino, com o vereador Fabrício Calandrini e assessora Nicole Hernandes Monteiro.

Ele explica que o município conta com 15 escolas estaduais e que o projeto já passou por oito unidades, atendendo mais de 2.100 alunos. E, apesar de ainda estar nos primeiros passos, já constatou que o trabalho é delicado e que o interesse do público é grande, já que mais de 600 jovens manifestaram interesse por ajuda psicológica. “Os jovens não costumam se abrir com os pais e, em muitos casos, não querem que a família saiba que eles participam do grupo de discussão nas escolas. A ideia é dar voz para que eles encontrem um caminho confortável para desabafar. A válvula de escape para situações de extrema tristeza pode ser o diálogo.”

 

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Além disso, o psicólogo destaca que, assim como o caso que ele mesmo encontrou em família, as tentativas de suicídio entre jovens são reais. Uma pesquisa realizada com os 2.100 alunos constatou que cerca de 700 deles já tentaram suicídio. “A visão é assustadora. Há muitos casos de tentativas que, por muita sorte, não dão certo. O tema ainda é tabu, mas precisa ser falado. Os jovens precisam ter a oportunidade de expor o que pensam e ouvir outros pontos de vista.”

Sobre a tristeza que acomete muitos desses jovens, Ismael tenta deixar como mensagem que o motivo nem sempre é igual, mas que os sofrimentos são parecidos. “Os grupos são montados com pessoas que têm questões semelhantes, para que elas se identifiquem com a causa do próximo”, destaca ele, ressaltando que o sigilo quanto às histórias contadas pelos participantes é essencial. “Ressalto que tudo o que é dito não pode ser compartilhado com outros amigos fora do grupo.”




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