HomeArticulistasAguinaldo OliveiraGuerra Fria… Ninguém ataca, mas faz cara feia

Guerra Fria… Ninguém ataca, mas faz cara feia

Imaginem uma livraria de pequeno porte… Lá trabalham o dono da loja, um ou dois membros de sua família e mais uns dois ou três funcionários. Nesse artigo eu quero convidar os leitores a refletirem entre a visão do Empregado e a do Empregador. Para tanto, vamos voltar um pouquinho no tempo, ainda no dia em que o patrão percebera que o movimento de clientes estava maior e que precisaria de um novo balconista para dar conta da demanda. Nesse mesmo dia havia em algum lugar da cidade um jovem desempregado precisando de emprego. Em comum, os dois tinham uma situação desconfortável onde o desempregado não estava encontrando uma vaga para trabalhar e o comerciante não encontrava uma pessoa que lhe satisfizesse para a tarefa.

Mais parecendo um roteiro de filme romântico, os dois se encontraram (tcha’rammm): O patrão olhou para aquele jovem e pensou: “ele me parece bem esperto e tem boa apresentação, creio que atenderia bem meus clientes… tomara que dê certo”. Enquanto isso o jovem refletia: “Que lugar simpático, todo mundo feliz, deve ser bom trabalhar aqui… se Deus quiser vou conseguir este emprego”. E a coisa aconteceu, amor a primeira (entre)vista! O livreiro contratou aquele estudante e lhe deu uma oportunidade de trabalhar, imediatamente ligou para sua esposa e disse: “Meu bem, acho que contratei o cara certo para o balcão da loja”. Na mesma tarde o garoto chegou em casa e disse: “Mãe, seu filho agora trabalha, e pode esperar que lá eu vou progredir”.

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Mas… como em toda novela, nesta também tem que ter desgraça… A convivência deixa as pessoas um pouco mais irritadas do que a razão exigiria. Depois de alguns anos o patrão reclama que o funcionário lhe custa muito caro para ficar sem fazer nada durante uma boa parte do dia e o funcionário acha um absurdo ganhar o que ganha perante a diferença entre o preço de compra do livro na editora e o de venda para o cliente. É comum o patrão chegar em casa e dizer pra esposa: “Me sinto lesado quando vejo aquele garoto o dia inteiro enviando mensagenzinhas no WhatsApp, para a namorada”. E no WhatsApp o garoto dizia a alguém: “a loja tem 50% de lucro nos livros que eu vendo e na hora de ganhar um aumento vem essa merreca”.

Nenhum dos dois tem razão. Parece até que eles se esqueceram que pouco tempo antes estavam os dois empolgadíssmos com a parceria. Quando um estava sem o outro, o que importava não era quanta vantagem alguém ia ter, mas sim o quanto esse alguém poderia lhe ser útil. É importante dizer que nem toda diferença entre o preço de compra e o de venda dos livros são lucro do comerciante assim como nem todo minuto parado do funcionário é improdutivo. Trata-se somente da diferença de visão entre um e outro, pois os dois dão muito mais valor ao seu dinheiro do que ao dinheiro que está no bolso do outro.

No final dos anos 80, o compositor Renato Russo da banda Legião Urbana, cantou “você diz que seus pais não lhe entendem, mas você também não entende os seus pais”. Isso caberia também em nosso assunto presente, dizendo que nem o patrão entende o funcionário, pois acredita que ele não dá valor ao emprego e acha que dinheiro cresce em árvore, assim como nem o funcionário entende o patrão, pois pensa sempre que está sendo explorado enquanto o outro está ficando rico. O equilíbrio entre as duas partes seria a melhor situação, onde o patrão consegue um bom lucro, que justifique o risco financeiro e a responsabilidade civil que assume, assim como o funcionário aproveita as chances e cresce para que um dia possa também se tornar patrão.

Para finalizar, lembro de ter ouvido uma vez que “uma folha de papel, por mais fina que seja, sempre tem os dois lados”, mas a gente sempre olha somente aquele que está virado pro nosso lado.




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