HomeArticulistasAnselmo BrombalO que há embaixo de nós?

Chegar ao centro da Terra sempre foi assunto para cientistas e escritores de ficção. Até para músicos, como Rick Wakeman. O desconhecido atrai e intriga. Vulcões são estudados com afinco e pouco revelam sobre o que trazem das entranhas terrestres. Mas é melhor não ir tão longe. Não sabemos nem o que está a poucos metros abaixo de nós.

Ou sabemos e desprezamos o risco. Há algumas semanas, por exemplo, a Vivo estava instalando fibra ótica na Vila Progresso, em Jundiaí. Perfurou um duto de gás natural e provocou uma explosão e tanto. Destruiu completamente uma casa e matou uma pessoa.

Na semana passada, outro problema envolvendo o gás da Comgás. Dessa vez foi na Ponte de São João, também em Jundiaí. Uma máquina da Dae rompeu uma tubulação de gás. Os moradores das casas próximas precisaram deixar o lugar.

Numa das entradas do Jardim Danúbio – ainda em Jundiaí – a Vivo esburacou uma rua inteira sem a menor cerimônia. E largou a rua daquele jeito. Durante a obra, não se viu nenhum técnico ou engenheiro acompanhando o trabalho. É onde começam as perguntas.

Será que sabemos tudo o que passa embaixo de nossas ruas e nossas casas? Quem tem o mapa dos canos, das tubulações de gás e dos dutos de telefonia? Há alertas insignificantes. A Comgás, por exemplo, coloca um microposte amarelo avisando que antes de cavar a área é preciso consultá-la. E só.

O falecido engeheiro Milton Takeo, da Dae, sabia de memória por onde passavam canos, galerias e redes de esgoto. Mas Milton está em outro mundo. O progresso foi mais rápido. Hoje Milton não saberia dizer onde estão certas tubulações que não sejam da Dae. Tem-se a impressão que as concessionárias (Vivo e companhia) fazem o que bem entendem na cidade, sem dar satisfações a ninguém.

Talvez seja o caso de Jundiaí produzir um inventário completo sobre tudo o que está enterrado. Galerias, esgotos, canos de abastecimento de água, tubulações de gás, dutos de telefonia e outros. O risco é bem maior do que se imagina ou se supõe. E os postos de combustíveis, estão seguros? Nenhum oferece risco?

 

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Se alguém consegue instalar um posto de combustíveis quase à beira de um rio – algo mais que proibido – transgredir outras normas, consideradas menores, é café pequeno. O posto está na avenida Luiz Latorre, à beira do Rio Jundiaí. Onde não deveria estar.

Depois de tragédias dificilmente se encontra responsáveis. E tragédias acontecem. E antes que aconteçam, o bom senso recomenda prevenir. Começando por mapear as redes subterrâneas de Jundiaí – todas – e proibindo concessionárias, sejam elas quais forem, de abrir buracos sem autorização. Um dia poderá ser tarde demais. E em vez de irmos ao centro da Terra iremos às alturas dos céus.




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