HomeArticulistasAnselmo BrombalDeclaração de guerra

Durante a semana, a Polícia Militar de São Paulo pediu ao Exército armamentos mais pesados. Coisa de guerra mesmo. Descobriu-se um plano mirabolante, porém exequível, de resgatar o senhor Marcos Camacho, o Marcola, recolhido numa penitenciária de segurança máxima. Seria o caso, em tempos normais, da PM somente reforçar a segurança e usar o que tem à mão.

Mas não é segredo para ninguém que o crime organizado está bem armado. E bem armado até os dentes. Em assaltos a bancos, carros-forte e caixas eletrônicos, quadrilhas têm usado armamento de última geração. Fuzis automáticos, metralhadorasde grosso calibre e explosivos modernos. Foi-se o tempo da pólvora. Agora os explosivos são sintéticos, mais eficientes.

No Rio de Janeiro a situação é semelhante. Não há Marcolas a serem resgatados, mas o tráfico impõe suas normas. A PM carioca tem carros blindados – os caveirões – e armamento pesado. Mesmo assim, tem perdido algumas batalhas. O tráfico carioca é organizado. Tem metralhadoras que derrubam aviões. Até lança-foguetes e granadas já foram achados nos morros que um dia enfeitaram a paisagem.

Voltemos a São Paulo. Quadrilhas gigantes têm atacado agências bancárias em pequenas cidades. A PM tem reagido como pode. Com vontade, mas limitada. Fuzis e pistolas .40 parecem armas de brinquedo comparados ao armamento das quadrilhas. É uma luta desigual. Seria como caçar elefantes com estilingue.

A PM paulista precisa muito mais que armamentos de guerra. Precisa de segurança para exercer seu trabalho. Precisa que seus soldados e oficiais não sejam processados e punidos quando despacham a escória da sociedade para uma cova rasa, escala para o inferno.

Só como exemplo de insensatez: a família do bandido morto na porta de uma escola por uma PM (Kátia Sastre, depois eleita deputada federal) quer que o Estado a indenize. Ou seja, quer que os milhões de paulistas entreguem um pouco de seu dinheiro para indenizá-la. O bandido morto na porta da escola não tinha boas intenções.

A policial só não foi crucificada porque o governador Márcio França agiu rápido. No dia seguinte a visitou e a homenageou. Elogiou sua coragem. E isso esfriou os ânimos dos possíveis defensores de direitos de humanos nem tão direitos. Mesmo assim alguns conseguiram impedir que as imagens, gravadas por câmeras de segurança, fossem veiculadas no horário eleitoral.

 

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Quanto ao senhor Marcos Camacho, o Marcola, não é compreensível, ou aceitável, que ele continue dando ordens a partir de uma penitenciária de segurança máxima. Como também não é entendível que presidiários tenham celulares em suas celas. Celulares e outras regalias.

Que o Exército dê a PM blindados, metalhadoras, bazucas e até obuses se for preciso. Já que há o estado de guerra, melhor se preparar para a batalha.




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