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Você defende ideias ou pessoas?

Comecei a ouvir Rock’n Roll com 8 anos e aos 15 migrei para o Heavy Metal. Nossa turma, como quase todas as tribos, se caracterizava pela obsessão em saber tudo sobre o tema que nos unia (o Metal) e mais que isso: defendíamos com unhas e dentes nossas bandas preferidas, criticando veementemente tudo o que saísse daquilo. Dizer que gostava de Titãs ou Barão Vermelho era motivo para ser marginalizado naquela turma.

Essa história me parece perfeita para comparar com o que vejo hoje nas instituições: pessoas que defendem seus amigos, independente de suas ideias. Chamam isso de fidelidade, mas não observam a incoerência. Fulano é meu amigo e ele tem uma notória rivalidade com Beltrano. Antes mesmo de meu cérebro avaliar quem age com mais bom senso, ele já tende a encontrar argumentos que aliviem para Fulano, desqualificando os argumentos de Beltrano. Na política isso é comum, em especial quando um militante critica um projeto do opositor, mas apoia esse mesmo projeto lançado com outro nome pelo seu candidato na gestão seguinte.

Eu continuo gostando de Rock e estou na fase de ouvir os clássicos dos anos 70. Hoje, quando ouvi no rádio “break on through”, me perguntei: é The Doors ou Pearl Jam, já que a banda de Seattle gravou esse cover de Morrison nos anos 90 com muita precisão, ficando quase impossível identificar diferenças entre uma e outra. Um colega presente disse: “não gosto de nada do Pearl Jam!”, embora ele tivesse acabado de dizer que curtia The Doors. Então argumentei que a versão da música era igual e ele respondeu que somente por saber que era Pearl Jam já não curtia.

 

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Curioso isso! Eu, que não gosto de músicas sertanejas, mas não posso deixar de aplaudir o Renato Teixeira cantando “Romaria”. Não curto pagode, mas o Martinho da Vila dá Show interpretando “Mulheres”. E talvez o exemplo mais relevante: não gosto de Chico Buarque e nem da música “Geni e o Zepelin”, assim como não vejo graça na atriz Leticia Sabatela. Mas quando assisti no YouTube a versão que ela interpreta essa música acompanhada por um piano, só pude tirar o chapéu para o que eu chamei de “espetacular”. Então não é “quem”, mas “o que” eu escuto que me convence. Não é o rótulo do Rock’n Roll, mas o que eu recebo ao consumi-lo.

E você? Defende pessoas, gêneros, rótulos ou ideias? Pense nisso… Enquanto pensa, aproveite, procure no YouTube e assista a Sabatela cantando “Geni e o Zepelin”, pois além da letra ter tudo a ver com o nosso assunto, a interpretação dela é espetacular!




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