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Transplante renova esperança de pacientes renais

Os irmãos Gilberto e Gilmar Valério já estão acostumados a comemorar o aniversário juntos. Gêmeos, completaram 44 anos no último dia 16 de agosto. Este ano, uma nova data entrou para o calendário de festas da família, e mais uma vez dividida entre eles: em 26 de fevereiro, Gilberto se submeteu a um transplante de rim, doado pelo irmão. “Eu sou outra pessoa. Nasci de novo”, resume.

Gilberto, em acompanhamento na clínica Renal Quality, de Jundiaí, é um dos 472 brasileiros que receberam o rim de um doador vivo entre janeiro e junho deste ano, segundo o mais recente relatório do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). Deste total, 378 eram parentes. Somando doadores falecidos, o número de transplantes de rim foi de 2.858 no período, uma redução de 3% se comparado ao primeiro semestre de 2017 e que vai na contramão da tendência de crescimento geral no número de procedimentos.

A fila de espera por um rim também é a maior, com 21.962 pacientes entre os 32.716 cadastrados, de acordo com dados divulgados no último dia 23 de agosto pela Associação Brasileira de Transplante de órgãos (ABTO). Só entre janeiro e junho deste ano, 5.493 doentes renais crônicos entraram para a lista de transplantes.

O analista de sistema Fernando Leite, de 49 anos, está nessa fila desde setembro do ano passado, após hospitalização por piora da sua função renal. Ele seguia o tratamento medicamentoso rigoroso há cerca de cinco anos e, após essa internação, com a redução para menos de 10% da capacidade de seus rins, entrou para fila de espera por um novo órgão.

Hoje, a rotina de Fernando começa cedo na Renal Quality, onde de segunda-feira a sábado realiza sessões de hemodiálise de curta duração para poder conciliar com sua longa jornada de trabalho. “No começo foi muito dificil, minha vida mudou bastante, mas hoje o que mais sinto é a falta de tempo, principalmente para dedicar à minha esposa e filho”, declara Fernando.

Enquanto espera, diz Fernando, “a vida segue”. “No meu caso, que é doação de rim, tenho a oportunidade de fazer hemodiálise, mas no caso de outros órgãos, não tem essa possibilidade. As pessoas têm que se sensibilizar com o próximo, do bem enorme que estão fazendo com a doação de órgãos. É uma segunda vida”, afirma.

A esperança é que sua história tenha o mesmo final que a de Gilberto: sua esposa está realizando os exames para ser sua doadora.

Segundo relatório da ABTO referente ao primeiro semestre de 2018, dos casos de potenciais doadores em que se abriu o protocolo de morte encefálica, esse foi concluído em 71,4% (elegíveis para o transplante), enquanto que o ideal seria em torno de 90%.

 

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“Certamente, muitas famílias têm razões morais e religiosas para negar a doação, contudo, nossa legislação muito contribui para essa realidade. Atualmente, apenas os familiares possuem o poder de decidir se os órgãos e tecidos do falecido podem ser transplantados, sem qualquer espaço para a preponderância da liberdade de escolha do doador. A verdade é que, mais do que uma alteração legislativa, precisamos de mais campanhas de conscientização social, focando, inclusive, no esclarecimento de como a remoção de órgãos é feita, explicando melhor o critério de morte cerebral, bem como a seriedade com que o assunto é tratado pelas equipes de saúde”, diz Maria Gabriela Rosa, médica nefrologista da Renal Quality.  “Afinal, não podemos negar que ainda existe no imaginário popular a ideia de que o ente querido poderá ter seus órgãos retirados ainda em vida”, afirma ainda a nefrologista.

A especialista também chama a atenção para um dos principais motivos que levam à progressão da doença renal e consequente aumento da necessidade de transplantes renais , a falta de prevenção. Alem do histórico familiar, os pacientes devem observar os hábitos alimentares, o sedentarismo, o envelhecimento, a obesidade, o diabetes e a hipertensão, que são os principais fatores de risco. “A doença renal no seu início é silenciosa, o que retarda o seu diagnóstico e reduz a chance de cura” afirma Maria Gabriela

“Foi o que aconteceu comigo”, diz Gilberto. Hoje, sete meses depois do transplante, ele continua a fazer acompanhamento médico, toma uma série de medicamentos e realiza exames periódicos para checar o funcionamento de seu rim. Mas sua vida, diz, voltou ao normal.

A nova fase, ele comemora com muita água: “O que eu mais sentia era a falta de água porque podia beber muito pouco. Eu chupava pedras de gelo com limão para matar a sede. Agora, posso tomar à vontade”.




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