HomeArticulistasAnselmo BrombalTem idiota votando em Tiririca

Tem idiota votando em Tiririca

Falta uma semana para sabermos quantos imbecis têm título de eleitor inútil. Uma semana para contabilizarmos quantos milhares – ou milhões – de idiotas darão seu voto para um palhaço chamado Tiririca. Ou para um demagogo chamado Celso Russomano. Ou ainda para outros nomes que nada têm a ver com a região. Absolutamente nada.

Em tempos passados, quando o eleitor escrevia o nome do candidato na cédula, houve votos de protesto. O rinoceronte Cacareco, do Zoológico de São Paulo, que na realidade era uma fêmea, teve mais de 100 mil votos. Foi o “vereador” mais votado de São Paulo. O partido que mais se aproximou de Cacareco teve 95 mil votos. Isso em 1959.

No Rio de Janeiro, em 1988, o Macaco Tião – chimpanzé conhecidíssimo no Zoo local, teve 400 mil votos. Sua candidatura a prefeito foi lançada pela revista Casseta Popular, apoiada pelo então deputado Fernando Gabeira. Era um protesto. Tião foi o 3º colocado naquela eleição.

Protesto é uma coisa. Palhaçada outra. O Rio de Janeiro, pródigo em maus exemplos, já elegeu o cacique Juruna deputado federal. Elegeu também o cantor Agnaldo Timóteo. Ambos passaram seus mandatos em branco. São Paulo elegeu também o costureiro Clodovil Hernandes deputado federal em 2006. E Clodovil foi um bom deputado. Não porque morreu. Porque tinha postura e ideais.

Tiririca é um caso diferente. Um palhaço, literalmente. Palhaço que em eleições passadas teve mais de milhão de votos. E em anos de mandatos não fez absolutamente nada. Só compareceu às sessões que havia votações. Sempre dizia que “pior do que tá não fica”. E a massa ignorante despejou votos no palhaço. No palhaço sem graça. No palhaço que faz de palhaço os eleitores.

Um deputado federal ganha R$ 33 mil em salários. Isso quer dizer que nessa temporada de sombra e água fresca Tiririca já embolsou R$ 4.752.000. Mais as mordomias, como passagens aéreas, bando de assessores, telefone, correspondência, apartamento em Brasília… Tudo pago por nós, eleitores.

Bem melhor seria se o eleitor pensasse um pouco. Levasse em conta que candidatos oportunistas – e não faltam por essas bandas – aparecem somente na hora de pedir voto, de iludir, de prometer. Levasse em conta que um palhaço só sabe fazer palhaçada. E palhaço sem graça, lembre-se.

Mas parece – e tudo indica que sim – que há milhares de eleitores que adoram ser enganados. Que entendem que votar em Tiririca e outros exemplares da fauna política é a esculhambação geral. E que depois passam anos e anos reclamando da Reforma Trabalhista, da Terceirização, do preço da gasolina, e até que Temer deu golpe na Dilma.

Nessa hora é bom lembrar que o eleitor tinha seus representantes na Câmara dos Deputados e no Senado. Poderia tê-los escolhido com consciência. Preferiu a brincadeira. Parodiando Orlando Orfei, o domingo, 7 de outubro, poderia ser aberto com um sonoro “Hoje é Dia de Circo!”




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