HomeArticulistasAnselmo BrombalQuestões burrocráticas

Entende-se por assessoria um suporte a alguém ou a alguma empresa, pública ou privada. Uma ajuda, um aconselhamento. Uma ligação entre a empresa ou a pessoa e o mundo do lado de fora. Seria para ser assim. É na maioria das vezes. Em algumas – e não são poucas – é o obstáculo. A dificuldade. A burocracia.

Vamos nos ater a assessorias de imprensa. Existem as ótimas, as boas, as ruins e as péssimas, como em tudo. As ótimas facilitam o trabalho do jornalista. Têm informações rápidas e precisas; colocam o jornalista em contato com o possível entrevistado; cuidam para que não haja dificuldades nesse contato.

As boas fazem quase tudo isso. As ruins um pouquinho disso. E as péssimas, nada disso. As péssimas formam um escudo, uma barreira entre o trabalho do jornalista e a empresa ou a pessoas objeto de alguma reportagem ou notícia. Com qual finalidade é difícil entender. Algumas se aproveitam da burocracia reinante para criar mais dificuldades que as já existentes.

As assessorias mais ignorantes e perversas são aquelas que exigem do jornalista todas as perguntas que serão feitas ao entrevistado. Retornam avisando que tais e tais perguntas não poderão ser feitas. Agem como censores. Outras encaminham o assunto para outros escalões. Não que seja preciso. É para dificultar.

Informações básicas precisam ser respondidas por tais assessores. Como exemplo: há alguns anos um jornalista telefonou a determinado clube para saber o preço do convite e da mesa para um evento programado por lá. Essa simples informação, de interesse desse clube, só foi respondida dias depois por uma assessora. Depois do evento.

Talvez esse comportamento absurdo seja fruto da má formação jornalística. As faculdades não andam lá essas coisas. Há professores mais interessados em difundir sua ideologia e suas opiniões do que propriamente ensinar. O resultado é evidente –  formam maus jornalistas. Que mal sabem escrever. Que não conhecem a língua portuguesa. Que se apressam a colocar declarações do interessado antes da informação em si.

E são esses maus jornalistas que abarrotam e-mails de jornais com releases comerciais, praticamente exigindo sua publicação. Irritam-se quando são informados que o e-mail foi encaminhado à área comercial. Ficam possessos quando a negativa da publicação é clara. Alguns até insistem em afirmar que o assunto enviado é de extremo interesse.

 

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Interesse da empresa, nada mais. Qual o interesse público representa o lançamento de uma nova furadeira ou de novo ferro de passar roupas? Notícias, via de regra, sempre têm um interessado. Mas essa gente parece não entender.

E, por incrível que pareça, cobra-se dos jornais a falta de notícias – se bem que há verdadeiros folhetins travestidos de jornais. Na maioria das vezes não faltam notícias. Falta boa vontade e profissionalismo de algumas assessorias. Falta boa formação aos novos jornalistas. Falta vontade de trabalhar para os mais jovens.

Nesse balaio de maus profissionais incluem-se os cabides. Os apadrinhados. Os amigos do amigo do conhecido da prima da vizinha. Competência medida pelo QI – Quem Indicou. Enfim, repetindo o que profetizava um professor, o mundo vai mesmo acabar em burrice.




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