HomeGeralClube Floresta agoniza. Circolo Italiano expulso da sede

Clube Floresta agoniza. Circolo Italiano expulso da sede

Se o Rio de Janeiro perdeu parte da história do Brasil por causa de um incêndio, Jundiaí já perde parte de sua história devido a uma série de trapalhadas que envolvem o Clube Floresta e o Circolo Italiano de Jundiaí, ambos na rua Pirapora. O clube está completamente desfigurado, o Circolo não está mais lá e entre os associados há muitos dúvidas.

Que a situação do Floresta não era lá aquelas coisas era um fato público. Acontece que o clube ficou sem fazer eleições para diretoria e conselhos durante mais de sete anos. Traduzindo, ficou sem comando. Em 2009, o Floresta cedeu em comodato suas propriedades para o Circolo Italiano de Jundiaí, que passou a administrar o conjunto.

Com a justificativa de pagar dívidas, foi vendido um terreno de 800 m². Ninguém sabe explicar o que foi feito do dinheiro, uma vez que as dívidas continuaram, e outras, anteriores, não foram quitadas. A bomba explodiu em setembro do ano passado, quando alguns associados tomaram conhecimento que o prédio do Floresta havia sido arrematado em leilão por causa de uma dívida trabalhista (4ª Vara do Trabalho – processo 0001356-08.2011.5.15.0097).

Causou estranheza tal fato. A dívida trabalhista era de R$ 22 mil, naturalmente sujeita à correção monetária. A penhora poderia ter recaído sobre os equipamentos da academia de ginástica do clube, mais que suficientes para quitar a pendenga. Ou ainda sobre um prédio menor, de pouco mais de 400 m². Mas a penhora foi do chamado filé minhon – uma área de 3 mil m², com muitas benfeitorias.

Mais estranheza ainda causou a presença de um porteiro na audiência trabalhista, sem qualquer procuração, autorização ou competência para representar o clube – que estava sem diretoria. Resultado: o Floresta foi condenado à revelia e a área levada a leilão. Arrematada por R$ 1 milhão – vale muito mais, talvez 5 milhões, segundo corretores ouvidos pelo Novo Dia.

Os novos donos não perderam tempo. Tudo foi demolido – academia, quadras, piscina olímpica, salão social e a cozinha industrial completa. Os novos donos – figuras conhecidas em Jundiaí – pretendem montar uma loja de carros no lugar.

Sobrou o prédio de 432 m2. Mas um cidadão, Vittorio Mario Scappini, ocupou o prédio e tirou o Circolo Italiano (ou o que dele sobrava) de lá. E lá instalou algo parecido, a Confederazione Circolo Italiano Brasil.

 

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Temerosos com a situação, associados foram à Justiça, tentando preservar o que sobrou e se possível recuperar o que foi perdido. O juiz Marcio Estevam Fernandes, da 4ª Vara Cível, decretou intervenção e nomeou interventor o advogado Dirceu Cardoso.

Cardoso tomou posse há quinze dias. No início da semana, procurado pelo Novo Dia, não se manifestou sobre as trapalhadas, e apenas afirmou: “Vou organizar e trabalhar dentro da lei para salvar o patrimônio do Floresta, confome encargo que me foi confiado pela Justiça”.

O que vai acontecer nos próximos meses é uma incógnita. Nas intervenções que tem atuado, Dirceu tem se mostrado competente como administrador – uma característica mais que necessária para resgatar um clube fundado em 1958, e que até outro dia era orgulho da Vila Rami.




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