Somos uma cidade ou um bairro de Sorocaba? Difícil responder. Às vezes somos também um bairro de Campinas. Pouco se resolve por aqui – boa parte das decisões são de diretorias, escritórios regionais e outros órgãos instalados bem longe, criando uma dependência que beira o absurdo.

Deixemos essas regionalizações políticas e administrativas de lado. Vamos tratar de comunicação. Jundiaí, como a maioria das cidades, tem jornais. Tem emissoras de rádio. E tem estações de TV com audiência no traço. Mas reina a poderosa Globo, via TV Tem, com noticiário e produções de Sorocaba. Ou de Itapetininga.

Outras menos poderosas – TVB-Record e TV Sorocaba-SBT – seguem a mesma linha. Fartura de assuntos de Sorocaba e sua região. A Band é mais Campinas que a própria Campinas. A TVB-Record não fica atrás. Ignorância quase total aos assuntos de Jundiaí. As locais limitam-se a programas ora sociais demais ora comerciais demais. Poucos são a exceção.

O comércio jundiaiense ajuda a manter o status de dependência. Os que podem anunciam na TV Tem e jactam-se de ter comercial na Globo. Não falam uma palavra sobre a regionalização. Os que não podem gastam seu dinheirinho em comerciais medíocres, sem qualquer efeito. Alegam que tais comerciais são baratos, acessíveis. Mas não funcionam. Servem para manter no ar alguns caprichos.

Espertamente, alguns programas apelam para a vaidade do anunciante – e é o próprio anunciante que aparece no comercial tecendo loas para sua empresa. Outros valem-se de apresentadores espalhafatosos para elogiar o que vendem. Ou pretendem vender.

Estabeleceu-se, assim, uma situação. A poderosa detém o filé minhon, mas não dá nada em troca. Nem notícias. As do segundo time limitam-se a acompanhar, mantendo o mesmo padrão. Sorocaba acima de tudo. Itapetininga quando der. Jundiaí, quem sabe? Campinas fica na fita. As locais enfrentam ainda a injusta concorrência.

As quatro primeiras estão com sinal aberto e na TV a cabo. Sinal aberto é a maioria da audiência. As locais estão somente no cabo, território onde mais de cem canais disputam a preferência do controle remoto. É uma concorrência pesada – filmes de primeira linha, documentários interessantíssimos, embora também no cabo haja mais lixo, como as Tvs governamentais.

 

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Logo tem início a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. No rádio, poderemos ouvir o que os candidatos jundiaienses têm a dizer. Mas na TV seremos impedidos. As estações gerarão programas de Sorocaba e Campinas, mostrando candidatos sem nenhuma ligação com Jundiaí.

Uma concorrência desigual também, sem que a Justiça Eleitoral impeça a prática. É onde todos nós percebemos que somos a lixeira dessas cidades. É onde constatamos que não temos prestígio nem para impedir a invasão da propaganda eleitoral de forasteiros. Depois só restarão os lamentos. Ou o direito de espernear.




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