HomeArticulistasAnselmo BrombalTragédias de agosto do desgosto

Tragédias de agosto do desgosto

Agosto não é um mês qualquer. É o mais trágico na história política nem tão recente em nosso país. Um mês para ser esquecido. Um mês que nem deveria existir, talvez. Poderia até chamar-se desgosto em vez de agosto.

Getúlio Vargas suicidou-se em agosto de 1954. No dia 24 – assumiu seu vice, Café Filho, que pouco fez e foi sucedido por Carlos Luz, por Nereu Ramos – até que se elegesse Juscelino Kubitschek. Foi num agosto de 1961 (dia 25, Dia do Soldado) que Jânio Quadros renunciou, dando lugar ao vice, João Goulart, e este à revolução que permitiu cinco presidentes militares.

Também foi em agosto de 1969, no dia 31, que o então presidente Costa e Silva teve derrame cerebral. Seu vice (Pedro Aleixo, civil) não pode assumir, e o governo foi entregue a uma Junta Militar. Em 1976, no dia 22 de agosto, o ex-presidente Juscelino Kubitschek morreu em acidente na rodovia Dutra.

Mais agosto: em 2014 o então candidato a presidente Eduardo Campos morreu num acidente meio estranho, quando o avião em que estava se preparava para pousar. Mais trágico ainda – era um dia 13 de agosto, e era sexta-feira. E no dia 31 de agosto de 2016 a ex-presidente Dilma Roussef foi premiada pelo Congresso com seu impeachment.

Todos os fatos aqui narrados geraram consequência nada agradáveis. O presidente Dutra, por exemplo, passou seu governo proibindo um pouco de tudo. Foi tão ruim que conseguiu que Getúlio Vargas, que havia sido deposto em 1945, fosse eleito seu sucessor.

Em boa parte dos casos há o dedo do Congresso (deputados e senadores) na história. Getúlio Vargas se matou porque não conseguia se entender com o Congresso, e quase não conseguiu governar. Jânio renunciou alegando “forças ocultas”. Traduzindo: os interesses pessoais e particulares de deputados e senadores.

João Goulart não foi deposto, ao contrário do que se apregoa. A Presidência da República foi declarada vaga pelo Congresso quando Goulart saiu de Brasília. Todos os presidentes militares foram eleitos pelo Congresso, em eleição indireta. Farsa ou não, eram eleições.

Fernando Collor tornou-se o primeiro presidente da história a sofrer impeachment. Por não se entender com o Congresso – deputados e senadores eram mais simpáticos às benesses prometidas por seu vice, Itamar Franco, que acabou assumindo a Presidência. Com Dilma Roussef aconteceu o mesmo – basta ver a trapalhada que é o governo de Michel Temer.

Conclusão: quem manda não é o presidente. É o Congresso. E o problema é que esse Congresso está coalhado de imprestáveis, de ladrões, de corruptos, de trapaceiros. De gente que defende interesses que não são os da maioria, mas de grupos econômicos. Só para constar: Há 238 deputados e senadores respondendo a processos no STF.

A solução não está em trocar de presidente. Está em trocar o Congresso. Mesmo assim é complicado. Se ficar apenas um deputado ou senador – dos atuais – este poderá contaminar os novatos. É bom não esquecer que basta uma laranja podre para apodrecer a caixa toda.




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