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O amor e a difícil permanência 

É curioso o como as nossas opiniões mudam, o como o tempo é determinante para que nossas ideias que até semana passada pareciam ser tão vitalícias e de uma hora para outra passam a ser estapafúrdia, e a gente pensa: onde estava com a cabeça. E ri. Porque é isso que fazem bons amigos: riem de si mesmos.

Hoje pela manhã me vi rindo ao deparar com uma imagem sugerida pelas lembranças do Facebook. A foto acompanhava palavras que dizia para comemorar uma amizade de cinco anos. E me vi rindo porque não foi só uma amizade. Foi algo passageiro, como tudo aquilo que é repentino. Ri também porque me lembrei de ter chorado algumas noites por um sentimento que hoje já não faz consonância com aquele que eu fui.

Levantei, fui tomar um café enquanto indagava pela segunda vez: onde estava com a cabeça?

Há cinco anos quem eu era mesmo? Quais eram meus objetivos? Quais eram meus medos, quais eram minhas fragilidades? Seria eu um homem que acreditava no amor e na sua permanência?

Não sei.

Aquele que eu fui não me é palpável hoje. E não é por uma questão de arrependimento. Não me arrependo de ter tentado, de ter insistido. A questão é o como nossa percepção sobre nos mesmos mudam. E essa mudança parece ser constante. A maturidade talvez deixe o sabor da vida mais refinado. Porque é assim que eu sinto. Passei a conviver com pessoas que mesmo com suas características singulares veem a vida de uma maneira mais solene. E percebo que era isso que me faltava tempos atrás.

O curioso é passar mais cinco anos para perceber que meu medo de antes ainda é o mesmo medo de hoje. A rejeição para mim sempre foi à morte. E mesmo quando não era uma rejeição encarava como se fosse. E por me despir dessa maneira tão sagaz percebo que em muitas situações eu mesmo me rejeitava.

E ao fazer uma análise daquele que eu fui percebo também que em muitas situações me submeti por uma carência que eu mesmo não conseguia bastar. A carência, como se sabe, é inimiga da nossa consciência.

 

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Quanto àquele amor repentino e passageiro vejo com afetividade – mesmo sendo passageiro. Porque é esse deslize no tempo, essa incoerência no percurso, que me trouxe até a esse que sou hoje. E que me trouxe essas palavras que se escorre, que se unem e fazem sentido.

O tempo é o nosso aliado. Sabe-se lá quem será eu quando ler novamente esse mesmo texto anos à frente. Sabe-se lá se os nossos medos permanecerão os mesmos diante do acaso, diante daquilo que a gente não tem controle, enfim, diante do amor e a difícil permanência.

Porque no final das contas jogamos os dados, a vida roda a roleta, e a sorte é sempre a última a se pronunciar. Portanto, a nós cabem às apostas.




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