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Dona Maria e os presos golpistas

Não, ela ainda não recebeu ligação do ex-governador Sérgio Cabral. Mas Dona Maria já passou em todos os testes de coração: ela recebe quase todo dia telefonemas de pessoas “amigas do alheio” lhe dando carros zero km, casas ou apenas lhe apavorando com ameaças de sequestro e extorsão. Dona Má (que é muito bondosa e ingênua), acabou desenvolvendo um “Know How” para se safar dos criminosos que agem de dentro dos presídios. “Por que a polícia permite celular dentro da cadeia?”, indaga. “Pergunte pra Justiça ou polícia, ora”, respondo eu.

Ela conta que recebe muitas ligações dos DDD 85 e 21. Os presos cearenses são mais engraçados, segundo ela, porque geralmente dão “bom dia” a tarde, ou “boa noite” pela manhã e oferecem prêmios como carros, casas ou 100 mil reais do SBT. “Mas o Silvio Santos não tem nada a ver com isso”, garante. Dona Má não esquenta a cabeça com isso. Ela gentilmente fala pro cadeieiro: “Dê o carro para sua mãe, coitada, ou pra sua esposa ir pra zona faturar”. Se o golpista é cearense, logo xinga “Oxi, tia, tá mangando? vai ti fu…”. E pro safado, ela retruca: “tu vai morrer essa noite, cabra da peste, que eu vou mandar botar óleo quente nas tuas ventas”.

No DDD 21, geralmente vindo de um dos presídios de Gericinó (Bangu, Rio), a ameaça é do tipo: “Perdeu tia, sequessstramos tua filha. Vamus botá o terror, uma bomba nela, exxxplodir se não depositá mil reaisss”. Ela ri. “Também, pode isso? Meu filho, fale como e onde eu deposito essa grana?”. O meliante carioca, vizinho dos bilionários corruptos Eike Batista e Sérgio Cabral, é mais didático: “Tia, deposita em qualquerr lotérica na conta tal… em nome de Rosa, Carla, Beatriz …”. Dona Má é expert nesse assunto; pesquisou e descobriu que a conta bancária é, quase sempre, de alguma agência localizada no bairro de Bangu, Rio de Janeiro. Pra carioca estelionatário, Dona Má também tem resposta pronta: “tua casa caiu e tu vai morrer esta noite. O comando vermelho vai por óleo quente nas tuas narinas”. Não tá fácil nem pra bandido.

 

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No Rio de Janeiro há 50 mil presidiários, metade disso nas cadeias de Gericinó, Bangu. O Ceará tem 30 mil presos. Dona Má me disse que já recebeu ameaças e telefonemas de bandidos dos DDD 11 e 41, provavelmente da capital do Paraná, Curitiba. “Mas Lula ainda não me ligou”, lamenta. Ela quer saber (e metade da população trabalhadora deste Brasil também) por que a polícia permite celular na cadeia? Ou por que a Justiça não identifica os telefonemas, investiga e aumenta a pena destes criminosos? Além de extorsão, os presos planejam crimes hediondos baseados nas informações pessoais que obtém pela internet, via celular, dentro dos presídios. 

Policiais dizem que as operadoras (Vivo, Tim, Oi, Claro etc.) não colaboram com a Justiça, não revelam nomes, CPFs, gravações destes criminosos. Então, Dona Maria, o negócio é, todos nós, revelarmos nas redes sociais todos os números dos celulares dos bandidos, dia, hora, local, número e nome das contas bancárias que usam nestes crimes. Quem sabe assim, a conivência das operadoras com bandidos diminui e a justiça melhore, né?




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