HomeJundiaíConde, tal qual Deus, perdoa umbandistas na Câmara

Conde, tal qual Deus, perdoa umbandistas na Câmara

Que pastores da Igreja Universal são bons de conversa todo mundo já sabia. Mas o vereador Roberto Conde, também pastor e discípulo de Edir Macedo, se superou na terça-feira durante sua fala na Câmara: falou que perdoa os que o ofenderam. E aí está o problema. Conde deveria ter pedido desculpas aos umbandistas. Era uma ordem da Justiça, solenemente ignorada pelo pastor-vereador, talvez por sua ligação íntima e direta com os céus.

Essa guerra santa começou no dia 14 de novembro do ano passado. Naquele dia, havia umbandistas na Câmara. Conde tirou fotos e as postou em redes sociais, dando a entender (e claramente) que havia uma invasão de demônios no recinto, e pedindo oração ao povo de Deus.

O fato foi visto e entendido como intolerância religiosa. A Uniterreiros (entidade que agrega os umbandistas) protocolou representação na Comissão de Ética da Câmara, que até agora não deu em nada. Protocolou também representação no Ministério Público, que denunciou o fato à Justiça.

 

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Em audiência, a Justiça multou o pastor-vereador em meio salário mínimo, e determinou que houvesse pedido público de desculpas aos umbandistas. Esse pedido de desculpas foi marcado para a terça-feira passada. Só que Roberto Conde, Senhor dos Céus e da Terra, inverteu tudo.

Quem ouviu seu discurso (disponível no site da Câmara) pode pensar que a vítima foi ele, não os umbandistas. E, num rasgo de prepotência, tal qual os fariseus, Conde resolveu perdoar.

Ao pastor-vereador faltou inteligência. Poderia até se fazer de vítima, mas de outra forma. Bastaria ir à tribuna e afirmar: Cumprindo uma ordem da Justiça, apresento desculpas aos umbandistas. Uma simples frase o redimiria, mas o orgulho e a prepotência falaram mais alto. Vem mais chumbo por aí.




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