No mês passado comemorou-se os 110 anos da imigração japonesa para o Brasil. Comemorou-se em termos. A data foi pouco lembrada pelo muito que representa. A chegada do navio Kasato Maru no Porto de Santos, no dia 18 de junho de 1908, marcou o início de novos tempos para os brasileiros. 165 famílias vieram nesse navio – as primeiras das milhares que a seguiram.

Quando os japoneses aqui chegaram, não trouxeram radinhos de pilha, nem grandes inovações tecnológicas. Trouxeram o principal – a vontade de trabalhar, coisa que ainda falta à maioria dos brasileiros. E essa vontade de trabalhar, a disciplina e a força para alcançar seus objetivos foram transmitidas aos seus descendentes.

E isso mostra uma coisa: o País seria um zero, um nada, não fossem os imigrantes. Anos antes, foram os italianos, espanhóis, portugueses, uns poucos alemães, árabes e polacos. Imigrantes trouxeram para cá sua cultura, sua forma de viver – coisas já incorporadas ao nosso cotidiano.

Todos deram sua colaboração. Italianos, por exemplo, trouxeram consigo a arte da construção, as serralherias, olarias, marcenarias. Japoneses fizeram da agricultura algo impensável no Brasil da época. Árabes – na época chamados de turcos – a arte do comércio.

Todos vieram sem dinheiro ou com muito pouco. Todos venceram. As empresas atuais tiveram origem, em sua maioria, com imigrantes. Como conseguiram tamanho progresso? Certamente não foi roubando, nem iludindo. Somente trabalharam. E se eles venceram, por que os brasileiros de verdade não conseguem? Porque não gostam de trabalhar.

Japoneses e italianos, principalmente, vieram para cá mais por necessidade do que por outro motivo qualquer. Havia pobreza em suas terras. Faltavam empregos e alimentos. Aqui era a terra da esperança, das oportunidades. As mesmas oportunidades que poderiam ser aproveitadas pelos nativos. Mas foram eles que aproveitaram.

Usaram, talvez, a máxima de que melhor do que chorar é vender lenços para quem chora. Italianos e japoneses nada mais fizeram que substituir a mão de obra escrava, abolida a partir de 1888. Em pouco tempo, tornaram-se donos de terras, conseguiram ter sua própria produção e se situaram bem na vida.

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E por que brasileiros não fizeram exatamente o mesmo? Faltou vontade de trabalhar. Como hoje falta. Faltou visão, como nos dias de hoje. O pensamento reinante é se empregar numa boa empresa, ter carteira de trabalho assinada e uma penca de benefícios. Por que não ter sua própria empresa? Porque dá trabalho. Porque exige sacrifícios. Porque precisa muitas vezes trabalhar nos sábados, domingos e feriados.

Alguém poderá alegar que os tempos mudaram. Mudaram sim. Para melhor. Hoje há mais oportunidades, mais acesso à informação, mais crédito. Mas falta o principal – a vontade. Os imigrantes e a maioria dos seus descendentes são, no mínimo, bons exemplos. O resto é resto.




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