HomeArticulistasAnselmo BrombalAllons enfants de la Patrie

Allons enfants de la Patrie

O sábado, 14 de julho, é feriado nacional na França. Deveria ser um feriado solene, a ser comemorado em todo mundo. Foi o início da Revolução Francesa, em 1789, cujos princípios se espalharam pelo mundo. Para entender:
Na época, a França tinha três divisões: o primeiro estado, formado pelo clero; o segundo, formado pela nobreza e o terceiro, o povo. A desigualdade era tremenda. A nobreza e o clero tinham privilégios demais, e o povo pagava a conta. Como nos dias atuais nessas plagas.

Havia inquietação, agitação, e um jornalista, Camille Desmoulins (desconhecido até) criou uma das primeiras fake news da história: espalhou que o rei iria reprimir o povo com violência. A história colou, e o povo foi para o Hospital dos Inválidos, onde havia um arsenal guardado. Foram roubados 28 mil mosquetes, mas faltava a pólvora.

O povo foi então para a Bastilha em busca do estoque. A Bastilha era uma fortaleza medieval que servia como prisão – no dia havia sete presos, e sua defesa era feita por 32 guardas e 15 canhões – só três funcionavam. Tomada a Bastilha e com o povo armado, o rei teve de ceder.

Formou-se a Assembléia Nacional Constituinte, a Guarda Nacional, e os debates dessa assembléia era noticiados pela imprensa. O povo se agitou ainda mais. No mês seguinte, foi publicada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

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A encrenca continuou, até que em 1792 foi proclamada a Primeira República da França. E o rei Luíz XVI foi executado no ano seguinte. Mas a confusão continuou até 1799, quando foi instalado o Consulado – primeiro cônsul: Napoleão Bonaparte.

Há lições. Como esta: a paciência do povo tem limite. Ou esta: um povo armado (lembra dos 28 mil mosquetes?) representa perigo. E uma triste lição: sem sangue, dificilmente se muda alguma coisa pra valer. Qualquer comparação com o país em que vivemos não é mera coincidência.




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