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O que os jovens diriam mas o suicídio calou

A resposta tem levado psicólogos e profissionais de saúde mental a discussões em busca de compreender por que mais jovens tiram a própria vida, e principalmente, como é possível prevenir a tragédia.

Enquanto você lê esta matéria, um jovem ou uma criança em ato de desespero está deletando a própria vida. No Brasil, entre 2000 a 2015, os suicídios aumentaram 65% dos 10 aos 14 anos e 45% dos 15 aos 19 anos, segundo o Mapa da Violência no Brasil.

Para a mestre em Ciência da Psiquiatria pela USP e doutoranda pela FMJ, Adriana Sartori, quando um adolescente se mata está dizendo algo sobre si mesmo. “Esse pedido de socorro vem por meio de um sinal. Pode ser uma frase dita repetidamente, pode ser a mudança de comportamento ou isolamento. Tudo isso precisa ser observado pela família ou escola”, explica.

Adriana lembra que a marca de ser adolescente neste século é a de tecer experiências na internet. “A atual geração é incapaz dos estímulos digitais do corpo, de se desconectar com a rede e se ligar com o mundo, sentindo o real e não o fake”.

Um importante sinal de alerta, segundo a especialista, é a depressão. Considerado um problema de saúde pública, pede atenção redobrada da família e amigos. “Muitas pessoas consideram a depressão uma fraqueza, mas não é. Ali já pode estar um pedido de ajuda que precisa ser escutado com atenção e tratado por especialista”.

Irritação, insônia, isolamento e frequente mudança de comportamento são alguns dos sintomas da depressão. “É importante ressaltar que se trata de uma doença séria que acomete 40% da população. Em alguns casos é necessária a internação do paciente e o uso de medicamentos mais fortes”.

Se há uma possibilidade nesse momento é a de que o desespero de ver adolescentes morrendo rompesse o silêncio. “A crença de que falar sobre o suicídio aumenta o número de casos precisa acabar. Enquanto houver esse tabu em torno do assunto, continuaremos vendo uma geração desconhecer a fase adulta”, finaliza.

Qual seria o perfil?

Estudos populacionais apontam que faixa etária é um importante fator de risco para o suicídio. No Brasil, o Mapa da Violência de 2014, publicação organizada pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, informou que de 1980 a 2012 o número de suicídios entre pessoas com mais de 60 anos aumentou 215,7%.

O primeiro boletim epidemiológico nacional sobre o assunto, divulgado pelo Ministério da Saúde no ano passado, mostrou que as taxas de suicídios são maiores em idosos a partir de 70 anos.

Também preocupa o avanço dos casos entre crianças e adolescentes. Em 2015, essa foi a sétima causa de mortalidade entre brasileiros de 10 a 14 anos, e a terceira entre jovens de 15 a 29, faixa etária que tem taxa de nove ocorrências em cada 100 mil pessoas. Alguns estudos estão ajudando a compreender o fenômeno.

No Canadá, uma pesquisa realizada no Hospital Saint Michael constatou que adolescentes de 12 a 17 anos retirados do convívio familiar têm risco duas vezes superior de tentar suicídio mais de uma vez, comparado a outros jovens que também já foram atendidos em emergências com lesões autoprovocadas.

Mundialmente, 19,8% dos adolescentes têm ideações suicidas e, entre 3% e 8%, já fizeram tentativas, segundo o psiquiatra Paramala J. Santosh, do Grupo Acadêmico de Saúde Mental da Criança e do Adolescente do King’s College de Londres.




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