E aí  você partiu. Entrou pela porta do ônibus, sentou na janela, respirou fundo. Fingiu que eu não estava do outro lado. Fixou os olhos em algo dentro do ônibus e foi. Com um rumo traçado e um destino decidido. Ia viver, você me disse.

Eu do lado de fora engolia seco, olhava para o teto para as lágrimas não molharem. Seu gosto ainda estava na minha boca e seu cheiro no meu corpo. Era novembro e a brisa quente trazia a chuva que respingava os meus sapatos. Era novembro e fazia um ano que você jurou não partir nunca mais. Você nunca foi bom com promessas, as esquecia.

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O amarelo do farol do ônibus desapareceu no horizonte, eu caí sentada no banco e entre a palma das mãos lavei a alma como a chuva. Eu chorava porque você tinha levado um pedaço de mim na mochila e aquela dor era quase física.

Fazia cerca de 2 minutos do nosso último beijo, mas eu sentia sua falta como de um ano de saudades. Espero que se encontre e aí quando se entender volte e more no meu peito mais uma vez… Ah, não esqueça de devolver esse pedaço tão imenso de mim que carregou contigo.




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