HomeArticulistasAnselmo BrombalA lógica do ilógico

Um sujeito que planta tomate, alface, rúcula, batata, almeirão, tem dois caminhos para lucrar com sua produção. Num, entrega tudo ao entreposto, que vai revender essa produção e ganhar algum dinheiro em cima. Noutro, consegue entregar diretamente ao interessado, seja um feirante, dono de restaurante ou mercearia.

No primeiro caminho, ganha menos. A diferença de preço entre a saída da roça e a chegada ao consumidor é gigante. Tem só a vantagem de entregar tudo num mesmo lugar, receber o dinheiro, e se a mercadoria não sair, o problema não é mais dele. No segundo caminho, recebe mais, mas precisa espalhar suas entregas.

Mas se o sujeito plantar cana e tiver uma usina? Nesse caso ele é penalizado. Só tem um caminho para escoar o etanol – a distribuidora. Não pode vender diretamente ao posto. É proibido por lei. E, mais que lógico, a distribuidora multiplica o preço por dois, às vezes até três.

Nesse caminho, todo mundo paga um pouco de imposto. É o chamado efeito cascata. O álcool (ou etanol) saído da usina paga ICMS. A distribuidora, quando manda o álcool para o posto, paga novamente ICMS. No fim, quem paga a conta na realidade é o motorista.

Com a gasolina, acontece coisa parecida. A gasolina é uma só, fornecida pela Petrobras, que tem seu monopólio. Cada distribuidora (ou marca) faz a mistura com 27% de álcool (espera-se que seja só isso), dá-lhe um nome (plus, hiper, ultra) e manda para o posto. Com bastante lucro. Novamente quem vai pagar a conta é o motorista, com todos os ICMSs incluídos.

Há mais coisa para ser explicada. Diz a Petrobras que o País produz 80% do combustível necessário, e importa somente 20%. Difícil conferir, mas vamos acreditar. E a mesma Petrobras afirma que controla os preços com base no mercado internacional do petróleo. Mas vem a pergunta: se a base é o mercado internacional, não deveria haver variação somente nos 20% importados? Mas a ganância é maior – abrange os 100% consumidos.

Há outras perguntas. Se o motorista brasleiro paga quase cinco reais pelo litro da gasolina, como o Brasil vende a mesma gasolina (mesma não, melhor, sem álcool) para a Bolívia por R$ 1,60 o litro? É muita camaradagem. A mesma camaradagem para com a Argentina e o Paraguai.

Nessa conta não entram as fraudes praticadas por centenas de postos, que colocam menos gasolina no tanque do que o marcado na bomba. Raramente esses postos são apanhados. Mais raramente, punidos.

O presidente vampiro vive dizendo que o Governo não tem dinheiro, que a Petrobras precisa ser recuperada, que é preciso sacrifícios. Uma cantilena que já deu o que tinha de dar. Descobriu-se agora que o governo brasileiro fez (e continua fazendo) empréstimos de dinheiro a outros países. Empréstimos secretos, diga-se de passagem.

Fala-se muito do financiamento do BNDES para Cuba construir um porto. Isso dos tempos de Lula e companhia. Mas é café pequeno perto de outros financiamentos camaradas feitos pelo Brasil a países miseráveis. Ou tão corruptos como o nosso.

E ainda há gente exigindo respeito. Respeito à autoridade. Respeito às leis. Algo incompreensível ante tanta falta de lógica. É o mesmo que proibir o cigarro na zona do meretrício e impedir quengas de falar palavrão.




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