HomeGeralSaúde & Bem EstarEm uma década, o número de pessoas obesas aumentou 60%

Em uma década, o número de pessoas obesas aumentou 60%

Mais de metade da população brasileira está acima do peso e um em cada cinco brasileiros é considerado obeso. Em uma década, o número de pessoas obesas aumentou 60%. Os dados fazem parte da última Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) divulgada pelo Ministério da Saúde. O estudo mostra que, ao mesmo tempo em que cresceram o sobrepeso e a obesidade, aumentaram também os casos de diabetes e de hipertensão, em 61,8% e 14,2%, respectivamente, entre 2006 e 2016.

 “A obesidade resulta em uma cascata de alterações metabólicas e hormonais que contribuem para o desenvolvimento de uma série de enfermidades crônicas, como o diabetes mellitus, a hipertensão, doenças cardiovasculares, a dislipidemia, o câncer e a doença renal crônica”, afirma a nutricionista Leila Medeiros Veiga, do centro nefrológico Renal Quality. “A elevada incidência e prevalência da doença renal crônica decorrem em grande parte do crescente aumento de indivíduos com hipertensão e diabetes”.

Apesar de a Vigitel indicar que menos brasileiros estão tomando refrigerantes e sucos artificiais (redução de 30,9%, em 2007, para 16,5%, em 2016) e comendo mais regularmente frutas e hortaliças (aumento de 33%, em 2008, para 35,2%, em 2016), apenas um a cada três adultos consumiam esses alimentos em pelo menos cinco dias na semana no ano da pesquisa.

Segundo Leila, distúrbios nutricionais são frequentemente encontrados em pacientes com doenças renais crônicas e estão relacionados a pior qualidade de vida e aumento da morbidade e mortalidade dessa população.

Equilíbrio

Para a especialista, a chave está no equilíbrio: “A adoção de práticas alimentares saudáveis é uma das medidas que deve estar inserida no cotidiano das pessoas como um evento agradável e de socialização”.

Ela alerta que a preocupação excessiva com a alimentação saudável pode também se tornar um problema. Um exemplo é a ortorexia. “Pessoas que realizam essa prática tendem a ter uma dieta cada vez mais restritiva, a ponto de excluírem grupos alimentares importantes que o nosso corpo necessita. Essa relação obsessiva com a qualidade da alimentação, prejudica principalmente a saúde mental e pode desencadear outros problemas de saúde”, afirma.

No caso das doenças renais, apesar de ressaltar que a alimentação é fundamental para prevenção e também para as pessoas doentes, uma dieta com muitas restrições pode até mesmo fazer com que o paciente abandone o tratamento.

Qualquer dieta, independentemente da população, recomenda Leila, deve ser acompanhada por nutricionista, por exemplo, para orientação de consumo de suplementos alimentares, ricos em proteínas. Para os pacientes renais crônicos  há evidências do benefício da restrição proteica sobre a progressão da doença.      

Assim como ocorre com a alimentação, o sedentarismo continua a ser um fator preocupante segundo a Vigitel, a despeito do crescimento na prática de atividades físicas (de 30,% para 37,6%), especialmente entre os jovens de 18 a 24 anos.

“Independentemente do estágio da doença, os pacientes portadores de doença renal crônica são, de forma geral, sedentários, afetando assim negativamente a saúde geral e a qualidade de vida dessa população. Pesquisas mostram que a atividade física é essencial para a saúde e bem-estar do corpo e da mente. Estudos comprovam que pacientes em hemodiálise demostram os benefícios do exercício físico, com a melhora da capacidade cardiorrespiratória e da pressão arterial”, diz Leila, lembrando que o nível de atividade física depende da capacidade funcional de cada pessoa.

Os benefícios também são preventivos: “Há evidências de que a prática regular de exercício físico reduz o risco de desenvolver inúmeras doenças, como a hipertensão, diabetes mellitus 2, obesidade, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, ansiedade e depressão”, diz.

Na Renal Quality, afirma a nutricionista, a maioria dos pacientes atendidos são diabéticos e hipertensos e, em alguns casos, obesos. “Realizamos um trabalho diário com os pacientes para a conscientização de mudança de estilo de vida e hábitos alimentares, através da equipe multidisciplinar”, diz.

Estudo do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, mostra que 15 mil casos de câncer por ano no Brasil (3,8% do total) estão diretamente ligados ao excesso de peso. A estimativa é que esse número chegue a 29 mil até 2015.

A obesidade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), está associada a 14 tipos de rumores: mama (pós-menopausa), cólon, reto, útero, vesícula biliar, rim, fígado, mieloma múltiplo, esôfago, ovário, pâncreas, próstata, estômago e tireoide.




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