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Prostituição e Política

Profissão mais antiga do mundo, vira e mexe volta ao debate. Não como algo proibido, imoral. A questão é dinheiro. Nos Estados Unidos, por exemplo, congressistas discutem se prostitutas devem pagar imposto. Na Alemanha a profissão é legalizada. No Brasil já se tentou, mas o projeto não anda.

Se legalizar, certamente nossos políticos vão querer impostos sobre isso. Se bem que prostitutas de luxo, que ganham os tubos e depositam a fortuna em bancos, acabam pagando imposto de renda. Mais uma vez, há políticos querendo ganhar com o trabalho alheio.

O que não é novidade. Políticos ganham sempre com o trabalho dos outros. É o velho ditado – para haver um folgado, alguém está trabalhando em seu lugar. No caso, nós. E isso se aplica à maioria dos políticos.

Mas querer ganhar em cima do trabalho dessa mulherada de vida torta já beira o absurdo. Literalmente, ganhar com o suor do trabalho delas. Se compararmos essa maioria de políticos às prostitutas teremos uma conclusão inquestionável: elas são infinitamente melhores de caráter. Infinitamente mais honestas. E trabalham.

O que faz um mau político? Faz uma campanha mentirosa, cheia de promessas; se elege, toma posse e passa a receber um super-salário, nomeia uma penca de assessores e passa quatro anos vendendo fumaça, ilusão. Ocupa um gabinete de luxo, com ar condicionado, secretária, telefone pago pelo povo. Depois de quatro anos conta novas mentiras, se reelege, e assim passa vida mamando na teta do cofre público.

E uma prostituta, o que faz? Oferece seus serviços, estabelece um preço. Entrega o serviço e recebe por ele o que havia sido combinado. Não ilude, não mente, não promete o que não pode entregar. Corre o risco de não receber. Se não tiver “qualidades” não sobrevive à concorrência. Que por sinal, reclamam elas, não é pequena.

Muitas trabalham em meio ao luxo de bons hotéis e motéis. Outras atendem em domicílio. Mas a maioria está enfurnada em boates malcheirosas, em inferninhos e em supostas casas de massagem. Mas o essencial é que trabalham.

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No catálogo de profissões do Ministério do Trabalho a prosituição é a de número 5.198. Ironia. Deveria ser a número 1. Mais irônico é o detalhamento da profissão, como “seduzir com apelidos carinhosos” e “satisfazer o ego do cliente”.

A explicação, no mesmo texto, sobre o que é “Atender cliente”: Fazer carícias, relaxar o cliente com massagens, dar conselhos a clientes com carências afetivas. Já em outro tópico – Acompanhar cliente – é mais seletivo: fazer companhia para o turista.

Não estranhe se qualquer hora aparecer esse imposto. O imposto orgásmico, ou o imposto do prazer. E quanto mais dinheiro entrar, mais eles vão roubar. O País é mesmo confuso. Chamá-lo de bordel seria rebaixar os bordéis e suas atendentes ou acompanhantes. Um bordel, ao que se saiba, é organizado. E lá, todo mundo trabalha.




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