Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), existem hoje no Brasil 62 milhões de pessoas com contas em atraso – 40,5% da população com idade entre 18 e 95 anos.

É um dado preocupante. Existem caloteiros involuntários (a maioria) e existem os que não têm mesmo vergonha na cara (uma minoria). Mas pouca gente se dá ao trabalho de procurar saber os porquês do calote, chamado pomposa e gloriosamente de inadimplência. Não entram nessa conta os que não pagam impostos.

São inúmeras as razões. O país nunca deixou de ser escravagista. Vez ou outra, em sua história, maquiou a exploração do trabalho pelo capital com leis benevolentes, paternais. Mas a finalidade continuou a mesma. O capital aprendeu que precisa alimentar sua mão de obra para ter alguma produção, algum lucro. Então, que se lhe dê o mínimo, o suficiente para sobreviver.

Somos o país com a maior desigualdade social no mundo dito civilizado. Nossos governantes só pensam em arrecadar impostos, e nada dão em troca. A Saúde está um lixo; a Educação está mais analfabeta que o analfabetismo; não existe Segurança Pública – tudo está dominado pelo tráfico e pelas quadrilhas.

Por tocar no assunto arrecadação de impostos, já circula uma notícia desalentadora: a Receita Federal vai promover devassa nas empresas. O governo quer mais dinheiro, pois alega estar sem caixa. Mas dá bilhões ao Fundo Partidário para financiar campanhas políticas de mentirinha. Ou seja, usa nosso dinheiro para continuar roubando.

Campanha política de mentirinha? Sim. Se na época dos votos de papel se fraudava, imagina-se agora o tamanho da fraude com as urnas eletrônicas. Não passa um dia sem novo escândalo de roubalheira. Não um banco sequer anunciando prejuízo. Ao contrário, todos têm lucros fabulosos, estratosféricos.

A lógica é simples – para alguém ganhar tanto, seja roubando o dinheiro público, seja extorquindo a clientela (bancos), alguém está trabalhando para isso. Dinheiro não nasce em árvore. O trabalhador – para não dizer escravo – faz o que pode, e nem sempre consegue pagar o que deve. E deve porque precisa sobreviver.

O juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, afirmou que a corrupção nunca vai acabar, mas que é preciso encontrar mecanismos que evitem a impunidade. Ele está fazendo sua parte, para desgosto dos que adoram o deus Lula.

Sugere-se então outra regra, mais simples de ser aplicada: limitar a roubalheira. Político que roubou dois ou três milhões de reais tem de parar de roubar. Com esse dinheiro já arrumou a vida. Então que dê vez e oportunidade a outros ladrões. Quem sabe, um dia, quiçá vejamos, todos vão conseguir pagar suas contas.




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