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Cinco cidades comemoram maioridade no dia 21

Francisco Morato

Pode-se afirmar sem qualquer engano que elas nasceram em função da ferrovia. Ou se desenvolveram por causa da ferrovia. Juntas, essas cinco cidades hoje abrigam uma população de 475 mil pessoas. E, 53 anos após sua emancipação, deixaram de ser apêndices de outros centros – têm vida e economia próprias, representatividade e estão numa das regiões mais produtivas do Estado de São Paulo.

Francisco Morato, por exemplo, era um lugarejo chamado Vila Bethlém, e era sede da Companhia Fazenda Belém, associada da The São Paulo Railway Compani (SPR). A empresa liderava um empreendimento formado em 1858 por dinheiro brasileiro e inglês. Queria construir uma ferrovia unindo as cidades de Santos e Jundiaí. A finalidade era levar a produção de café do interior até o Porto de Santos.

Louveira foi diferente. Fundada em 1639 por Gaspar de Louveira, um espanhol nascido em Iagronã, que se instalou num lugar conhecido como Pouso das Oliveiras. Gaspar era casado com Paschoa Costa, descendente de João Ramalho e Bartyra, filha do cacique Tibiriça. Foi sendo povoada por mais gente, até que em 1872 foi inaugurada sua estação ferroviária. Mas era de outra empresa, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

Louveira

Várzea Paulista, outra aniversariante, tem sua história intimamente ligada à ferrovia. Sua história começou em 1867, quando os ingleses inauguraram a SPR, mais tarde redenominada Estrada de Ferro Santos a Jundiaí. Mas só 19 anos depois o lugar começou a ser habitado – por causa da ferrovia. O primeiro morador foi Isaac de Souza Galvão, que lá montou uma olaria. Diz-se também que Várzea Paulista foi incluída no ciclo do café, coisa que acabou com a geada de 1878.

Campo Limpo Paulista teve a mesma origem – a construção da ferrovia. O lugar abrigava ainda o bairro de Ivoturucaia, tinha um posto de telégrafo e um tímido comércio. As casas começaram a ser construídas na rua Joaquim Pereira Pinto. Eram casas de sapé e pau-a-pique, feitas para os funcionários da SPR.

Itupeva era só um bairro de Jundiaí. Tinha sua estação ferroviária (onde funcionou a antiga Prefeitura) da Companhia Sorocabana. Vivia da agricultura e de pequeno comércio. Em 1953 Itupeva foi elevada a distrito de paz, e continuou pertencendo a Jundiaí. Mas o distrito só foi oficialmente instalado quatro anos depois. Ganhou também um Cartório de Registro Civil.

Várzea Paulista

Das cinco, quatro tinham em comum ser até 20 de março de 1965 território de Jundiaí. Francisco Morato é dona de uma história mais complicada. Uma parte da Fazenda Belém foi comprada por Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. Custou 8.900 constos de réis. O lugar servia de acampamento dos operários que estavam construindo o túnel que passava na Serra do Botujuru.

Quando o túnel ficou pronto, a SPR comprou 45 quilômetros quadrados – onde hoje está Morato. O lugar recebeu plantações de eucaliptos. Era a lenha necessária para a ferrovia. De quebra foram instaladas olarias e cerâmicas perto do túnel. E os tijolos e telhas eram usados pela empresa que construía a estrada de ferro.

Em 1900 seu nome foi simplificado. Ficou sendo só Belém. A SPR construiu a estação (que até hoje está por lá) e duplicou as linhas. Em 1946, o governo encampou a ferrovia, que passou a se chamar Santos a Jundiaí. O lugar foi loteado, e as terras da Companhia Fazenda Belém passaram a ser distrito de Franco da Rocha, que havia sido emancipada em 1944.

Campo Limpo Paulista

O nome era simples, mas surgiu um problema – já havia Belém, capital do Pará. Então, por sugestão dos alunos de Direito do Largo São Francisco, em 1954, o nome do distrito foi mudado para Francisco Morato. Morato havia sido professor naquela faculdade.

Louveira tem alguma semelhança com essa história. Havia a Vila Rocinha (hoje Vinhedo), então um bairro de Jundiaí. Durante mais de 300 anos Louveira fora parte de Jundiaí. Só que em 1948 Rocinha foi emancipada, desmembrou-se de Jundiaí e passou a se chamar Vinhedo. E Louveira passou a ser bairro de Vinhedo.

Até 1952. Na primeira eleição de Vinhedo, Louveira elegeu cinco vereadores, que passaram a brigar para que o bairro fosse elevado a distrito. E isso aconteceu em 1953. O plebiscito para a emancipação de Louveira aconteceu dez anos depois.

Campo Limpo e Várzea Paulista eram terras jundiaienses. Várzea teve sua estação ferroviária inaugurada em 1891, mas o lugar se chamava Secundino Veiga. Até 1888, Várzea abrigava também uma multinacional, a Societé des Distilheiries Brasiliennes, que produzia álcool. Com o fim do trabalho escravo, fim também para a fábrica de italianos e suiços.

Itupeva

Campo Limpo tornou-se distrito em 1953 e nessa épóca já se falava em emancipação, que veio em 1965. Em 1969 foi acrescentado o Paulista ao seu nome. Mas no final dos anos 1950, os alemães resolveram instalar a Krupp na cidade. Ou melhor, no distrito. A inauguração da fábrica, notória pela qualidade de seu aço e suas peças, teve até a presença do então presidente da República, Jânio Quadros.

Voltando a Francisco Morato – O lugar tinha casas simples, ruas de terras, geografia acidentada e uma população pequena. Estima-se que cinco mil pessoas viviam por lá. E dependiam muito de Franco da Rocha. Até que em 1965 se tornou cidade.

Os porquês da emancipação das cinco cidades têm várias razões. A maior, segundo a lógica, é que todas queriam ser independentes. Queriam deixar de ser apêndices. Outra, se liga à necessidade política da época.




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