HomeArticulistasAguinaldo OliveiraQue absurdo é o Carnaval… ops, talvez não!

Que absurdo é o Carnaval… ops, talvez não!

Num dia desses, em um grupo de WhatsApp em que estou inserido, surgiu uma discussão: “como vocês podem postar tantas piadas, falar tanto de futebol, com o país deste jeito?”. Essa “bronca” veio de um colega que solta vários links, vídeos e reportagens por dia, com tema político. Ele, claramente não escrevia mais nada a não ser isso!

Esse episódio iniciou um debate ali mesmo sobre o quanto seria saudável falarmos sobre amenidades, entretenimento, esportes ou qualquer outra coisa supérflua em época de crise. Mais ainda, questionou-se que seria um absurdo tanta gente parar de trabalhar e viajar no Carnaval… “Cadê a crise?” – perguntou um deles. Aqui vou escrever a minha reflexão pessoal.

O Carnaval é uma festa popular que emenda o feriado. Algumas pessoas o antecipam em uma semana e há estados brasileiros que praticamente param para receberem seus turistas nesta época. Para alguns comerciantes, esses feriados prolongados são lacunas na produção, mas para outros que vivem do turismo, a festa traz uma produtividade enorme. Criticar a diversão numa festa folclórica brasileira pelo fato de o país estar em crise é quase que forçar um luto, um “toquem de recolher” ou de “proibido se divertir porque o país passa por isso ou aquilo”, quase comparado a tradição de antigamente, quando a sociedade conservadora exigia que uma viúva se vestisse somente de preto.

Considerada “fútil” por alguns, a indústria da moda movimenta uma parcela enorme do PIB brasileiro. O futebol vende camisas, artigos esportivos e gera empregos diretos e indiretos. Motociclistas, roqueiros, frequentadores de rodeio também tem o seu papel na economia e até artigos religiosos são explorados comercialmente pelos seus fabricantes. Então, qual o mal de, uma vez por ano (se você tiver dinheiro pra isso), desligar-se do mundo e curtir o carnaval?

Preocupe-se sim com os assuntos importantes, como economia e política, mas não deixe de viver e se divertir. Do contrário, se a crise durar mais do que o esperado, no final você perceberá quanto tempo perdeu também sem produzir e sem ser feliz. Pior que isso é que, quando ela realmente passar, você estará desatualizado do mundo (porque tudo pelo que se dedicou durante anos foi reclamar do governo) e muito provavelmente viverá por algum tempo um vazio existencial, que nem mesmo o Carnaval será capaz de preencher.

Por Aguinaldo Oliveira 




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