HomeArticulistasPorca miséria

Aquele bando de zumbis vem em direção a você. Com eles, o fedor, a pena ou medo. Atrás deles, a fábrica falida; trecos amontoados, carros de supermercados roubados e cachorros empesteados; no chão, lixo, cocô e mato, muito mato. Moradores de rua botando fogo nas caçambas e nas árvores. Eu acuso: minha terra querida está fundida. Tem hora que não tenho “estômago” pra ver, tolerar ou disfarçar. Por onde anda minha querida Terra da Uva? Perdeu-se no desgoverno, nas “dívidas” ou no escárnio? Vergonha alheia.

Um casal de Itatiba me pediu indicações de móveis artesanais. Gentilmente quis mostrar algumas opções de dois artesãos de primeira. Comecei pelo Donizete dos empalhados, na avenida Frederico Ozanan. Topamos com lixo pelas calçadas, noias pelas ruas, entulhos no rio Jundiaí, animais famintos ou mortos, merda pelas calçadas esburacadas. Confesso que senti  vergonha. Pensei  em levá-los ao Caxambu, rota turística “onde o prefeito mora”. Mas o bairro do Nivaldo dos rústicos está que é só mato, árvores caídas, lixo e queimadas. Desisti. Vergonha alheia.

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A cidade vive das glórias do passado, quando uma gente trabalhadora e animada se plantou por aqui. No século passado, e ainda neste, chegamos a ser uma das melhores cidades do país para se viver e trabalhar. Como a implosão de uma casa: em pouco tempo se destrói a bela cidade dos ferroviários e do vinho. Hoje, de um lado, tem-se um carnaval de autoridades trocando farpas. Do outro, as lixeiras queimadas, vômitos nas ruas e praças, as pichações, vidraças quebradas e os zumbis atacando nos semáforos. Vergonha alheia.

Essa “buona” gente, que fala “ó” quando se encontram, não merece esse lixo todo. O patrício Fontanetti  comentou:  “Deem uma passada ali embaixo do viaduto da Rio Branco, na Rua Prudente, a qualquer hora do dia ou da noite, depois me digam se aquele lixão não é vergonhoso”.

Consola-me olhar os postes pintados pela tia da Ponte São João, a velhinha “louca” que sem apoio oficial vem tentando colorir o caos e tapar a vergonha alheia que tomou conta da cidade. Isso vai passar. Tenho esperança.  Oremos.

Por Galdino Mesquita




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