Não faltou gente para comemorar o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, parte da Reforma Escravagista idealizada pelo presidente. A contribuição é um dia de trabalho, descontada no salário de março. Passada a comemoração começaram as dúvidas e as incertezas.

A falta desse dinheiro vai enfraquecer os sindicatos – alguns poderão até desaparecer. E aqui começam os problemas. Ou melhor, as perguntas. Quem vai negociar aumento salarial com o sindicato patronal? Quem vai fiscalizar as condições de trabalho? Quem vai orientar o trabalhador? Quem vai acompanhar a homologação da rescisão quando esse trabalhador for demitido?

O empresariado sempre teve – e sempre terá – mais razão em qualquer negociação. Isso faz parte do capitalismo, das regras que nos acostumamos a conviver. E como há péssimos patrões, também há péssimos sindicatos. Maus patrões deverão aproveitar essa brecha ao máximo.

Como será daqui em diante. Aumento salarial será negociado individualmente, trabalhador por trabalhador? Doce ilusão. Se com sindicato, ameaça de greve, barulho na porta da empresa, estava difícil negociar, dá para pensar como será o futuro próximo.

Nem todo mundo que trabalha é filiado a um sindicato, mas na hora do aumento todos se beneficiam. Na hora da rescisão todos são acompanhados pelo sindicato para a homologação, feita muitas vezes no próprio sindicato.

Nada de defender o excessivo paternalismo, mas a reforma, rotulada como trabalhista, está mais para escravagista. Ou alguém acha que haverá fila de trabalhadores na sede da Fiesp para buscar orientação ou para negociar aumento de salário?

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A reforma foi feita de encomenda. Tem pontos que vão de fato gerar mais empregos. Outros que favorecem o empresariado. E isso era preciso. As empresas pagam impostos demais porque o governo precisa de dinheiro. Parte desse dinheiro e mau gasta e parte é roubada. Investir em empresa no Brasil continua sendo loucura e insensatez.

Boa parte das empresas (que ainda sobrevivem) é pequena. É aquela que o dono conhece quase que intimamente seus funcionários. A empresa da camaradagem, onde o dono chega a ser padrinho de batismo do filho do funcionário. Onde o dono dá carona, adianta dinheiro fora dos dias marcados.

Mas grande parte não é assim. E é por isso que os bons sindicatos precisam ser mantidos. E bom sindicato não é aquele que faz baderna por pouco, não é aquele que xinga e ameaça patrão, e menos ainda aquele que se mostra radical na hora de conversar. É preciso bom senso de todos. E isso faltou na reforma.

E você, que comemorou bastante o fim da contribuição sindical, vai fazer o que agora? Chorar? Ir às ruas com bandeirinha vermelha? Ou ainda acredita que a reforma foi boa para você? E agora Mané?

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