HomeArticulistasCarlos CunhaO profissional do ‘grátis’

O profissional do ‘grátis’

Certa vez, enquanto fazia o curso de publicidade, ouvi de um colega de classe: ‘nem que você só cobre 1 e 99, mas cobre’. Serviço grátis não tem valor. Alguns anos depois, quando lecionei para uma das turmas de eventos do Senac/SP, fiz questão de ministrar uma aula explicando a diferença de preço e valor.

Com as explicações, notei que muitos ficaram perplexos com a realidade. Na oportunidade, parafraseando meu colega dos tempos de faculdade, finalizei a aula dizendo: ‘se você não cobrar nada ou cobrar barato, vai sempre atrair falsos clientes que não vão querer te pagar ou vão querer te pagar pouco’.

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Hoje, vamos ficar apenas na primeira parte: ‘o cliente que não quer pagar’. É muito comum, principalmente na área de prestação de serviços, nos depararmos com propostas neste sentido. As propostas são cada vez mais mirabolantes. Alguns exemplos mais comuns são:

  • “É pra mostrar seu serviço”: este argumento é um dos mais usados, infelizmente, mesmo que o profissional já tenha chegado a ele por (boas) referências;
  • “É coisa rápida, você consegue fazer”: Em primeiro lugar, não existe ‘coisa rápida’. Tudo depende da expertise de quem faz e isto é adquirido por anos e anos de estrada , estudo e relacionamento com o cliente. O que você faz ‘com um pé nas costas’, outros penariam pra fazer e não ficaria bom;
  • “Desta vez não temos orçamento, mas na próxima a gente te chama também”: esta pode ser considerada pegadinha. Tenha certeza que, se você fizer de graça a primeira vez, quando a outra parte tiver grana, vai chamar outro no seu lugar. Digo isto por experiência própria e através de experiência de colegas que passaram pelo mesmo ‘perrengue’;
  • “Teve um que ia fazer, mas a diretoria não confiou. Aí a gente pensou em você, só que não tem verba”: É uma variação do anterior. Mais uma pegadinha que já te dá um bom argumento: “Ora, se o outro foi grátis e você não confiou, qual a razão de se confiar e não querer pagar?”

Dentro das relações comerciais, sempre costumo ponderar antes de dar qualquer resposta, só que em alguns casos, já dá pra tirar de letra. Em qualquer uma das situações, o relacionamento com o cliente é muito importante. Eu, inclusive, já consegui reverter todos estes argumentos com uma boa dose de conversa e demonstração de conhecimento do assunto.

Independente da sua área de atuação, saiba valorizar-se; porque, se você não se der o valor que merece, não adianta esperar isso de terceiros. De graça até injeção na testa? Saiba que o mercado não está aceitando qualquer coisa não. Então, valorize-se!

É isso.




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