Quando criança, muitos de nós aprenderam valores que deveriam ser levados em conta a vida toda. Valores que foram transmitidos aos nossos pais por nossos avós, e a esses, por nossos bisavós. No passar do tempo, alguns valores se modificam, se adaptam. Mas agora praticamente todos os valores estão invertidos, trocados.
Dar lugar a idosos, gestantes ou deficientes em assentos de ônibus, em filas de banco ou de supermercado era um desses valores. Não precisava de lei, de placa ou aviso alertando. E hoje, com lei, avisos e constantes recomendações, é algo solenemente desrespeitado. Parte da geração mais nova parece ter sido educada em alguma estrebaria.
Isso no dia a dia. No contexto geral a coisa é muito pior. Tem gente que quase foi para a cadeia porque reagiu ao bandido dentro de sua casa. O bandido, como praxe, foi defendido por organizações voltadas aos direitos humanos. Tem gente que responde a processo por ter atropelado assaltante – e esse assaltante, que não conseguiu levar adiante sua nobre missão de socializar a riqueza, passou por hospital público (pago por todos nós) e está protegido. Vítima da sociedade, talvez alguém possa alegar.
Mas o exemplo vem de cima, como sempre. Temos políticos ladrões, apanhados com a boca na botija, com provas irrefutáveis, soltos e arrotando poder. Temos um ex-presidente desafiando a Justiça todos os dias, prometendo guerra, anarquia, arruaça porque já marcaram data para julgar um recurso legal, a que ele tem direito.
No entender de qualquer bandido, se essa gente graúda pode fazer tudo isso, por que não ele também? Em muitos lugares são promovidos pancadões até a madrugada, onde a droga rola solta, onde menores são corrompidos e onde vizinhos são incomodados ao extremo. Mas a Polícia não pode interferir, não pode prender, não pode mandar parar com zoeira – são cidadãos, embora criminosos, e têm lá seus direitos.
Temos centenas de policiais punidos por terem enfrentado criminosos – enquanto os mesmos criminosos continuam nas ruas, ousando cada vez mais em suas investidas contra o patrimônio alheio. Ou cada vez traficando drogas abertamente. Basta ler qualquer coisa sobre o Rio de Janeiro, onde está o supra sumo da bandalheira.
E quando bandido é preso as regalias continuam. Muitos comandam suas quadrilhas de dentro de suas celas, onde não é difícil usar celular. Famílias tratam de abastecer a despensa cadeieira para reforçar o cardápio que não é lá grandes coisas que o Estado fornece. A maioria tem direito à visita íntima – fora da cadeia, se o cidadão quiser intimidade com uma mulher vai pagar motel. Na cadeia, quem paga o conforto somos nós.
E agora, final de ano, milhares desses criminosos pegarão férias da cadeia. Muitos nem voltarão. Eles têm direitos. E muitos serão presos cometendo mais crimes. A sociedade, os que trabalham, que tratem de se cuidar. Bem diferente do que nos foi ensinado e do que seria a lógica.
Em tempo: com as festas de final de ano, também estarão de volta aos seus estados e cidades mais de 500 deputados e 81 senadores. Seria o caso de nos protegermos também?

Por Anselmo Brombal




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