HomeOpiniãoMediação de conflitos na escola – mudar para piorar

Mediação de conflitos na escola – mudar para piorar

Recentemente, a burocracia central da Secretaria de Educação Estadual veio a público, provocada pela mídia, para dizer que dobraria o número de professores mediadores de conflitos nas escolas, hoje estimado em torno de mil e duzentos agentes da mediação.
Essa declaração merece alguns comentários para colocar a real verdade dos fatos no seu devido lugar e tentar mostrar a tática da administração de fazer mudanças quase sempre para piorar o que já não está bom.
Todos sabemos, por diversos meios, que a violência que assola a sociedade tem lugar cativo na escola. Entre outras causas, pelo descaso com que essas últimas administrações têm tratado a instituição, quase a matando pela minguada ração de investimentos a que está submetida. Para tentar responder a isso, a burocracia criou o sistema de proteção, o registro de ocorrência escolar e a aferição da vulnerabilidade social da comunidade e, há alguns poucos anos, criou a função de professor mediador de conflitos para atuar dentro da escola.
Não se sabe do resultado dessas medidas. Ou, se a burocracia sabe, guardou-o para si. Apesar da crescente demanda pelo combate da violência dentro da escola, cuja face mais presente é a agressão física entre alunos e agressão a professores, a burocracia não titubeou em reduzir drasticamente o módulo do professor mediador na escola, com medidas estranguladoras expostas em resoluções publicadas entre o final do ano passado e início deste ano.
Cortou pela metade o módulo e ainda atribuiu parte das ações ao vice-diretor da escola que tenha o programa Escola da Família, um profissional já sobrecarregado com tantas outras atribuições. Além de tudo, adotou uma postura, que ainda perdura, de apenas permitir a ocupação dessa função ” e de outras, como o responsável pela condução pedagógica da sala de leitura ” para servidores que estão sem aulas, reduzindo muito o universo dos possíveis candidatos e afunilando o perfil desse mediador.
Em razão disso, mas não apenas por isso, a violência cresceu muito na escola, a ponto de ser manchete continuamente na imprensa e exigir uma explicação da burocracia administrativa da Secretaria de Educação.
E a resposta veio, bem ao gosto da publicidade inútil, do marketing, fogos de artifício no vazio. Uma nova resolução, 41/2017, secundada por outra, 42/2017, prometendo, nas palavras do secretário de educação, “dobrar o número de professores mediadores” nas escolas. Ainda que dobrar um número tão baixo, para um universo muito maior de escolas, não animava as expectativas.
Mas… a resposta pode ser muito pior do que se imagina e podemos ver repetir a famosa prática política de “mudar para nada mudar”. É mantida a mesma postura de limitar o universo de possíveis candidatos, limitando a escolha entre os que não estão em regência ” o que comprova que a burocracia quer, mas não quer. Ainda é mantida a função nas mãos do vice-diretor da Escola da Família. Ninguém sabe, pois os documentos da burocracia são sempre mal redigidos e deixam inúmeros vazios de explicações, se os professores da categoria F atuais ocupantes da função, mesmo com bom desempenho, serão mantidos.
Ainda de acordo com a resolução 41/2017, o módulo de professor mediador de cada escola fica condicionado ao cruzamento de “índice de vulnerabilidade social”, apenas dos considerados pela burocracia, com os registros feitos no tal Registro de Ocorrências Escolares, que ninguém consegue saber direito a que veio e para que serve, já que as escolas nunca têm respostas dos registros feitos. Ou seja: corre-se o risco de tudo ficar como antes ou piorar.
A violência, por conta dos conflitos internos na escola e por conta do descaso total da administração com essa instituição, continuará sua escala de crescimento e o número de mediadores de conflito continuará diminuindo. O próximo ano está chegando e poderemos constatar se, nesse quesito, a burocracia da SEE mudou para melhor ou para pior. Os números poderão responder.

CARLOS GIANNAZI
Deputado Estadual




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