HomeArticulistasAguinaldo OliveiraA sensação de insegurança é maior que a insegurança

A sensação de insegurança é maior que a insegurança

Histórias de violência a gente ouve todos os dias. Notícias de crimes, conflitos, guerras estão cada vez mais na mídia. Mas a pergunta é se realmente o mundo está mais violento ou se o alcance da informação que está mais eficiente.

Quando falo em informação, além de noticiários, percebam que o cidadão de hoje carrega consigo um aparelhinho igual a este que você está manipulando ao ler esta crônica. Seja um notebook, um tablet ou um smartphone, é quase que certo que ele te acompanha pra todos os cantos onde você vai. O Facebook mostra em tempo real quem morreu, o grupo do WhatsApp traz um boato que corre há anos na internet como se fosse verdadeiro e fresquinho… e o pior: as pessoas acreditam e replicam. Ouvi do meu amigo Clebio Mach que “a maior guerra que vivemos hoje é a da informação, que traz mentiras com reluzentes roupas de verdade”.

O Smartphone é o novo canivete suíço, que substitui quase todas as outras ferramentas: despertador, calculadora, câmera, horóscopo, previsão do tempo e inclusive faz ligações telefônicas. Não há mais paz. Não há mais cochilo da tarde, pois o “zapzap” apita e te desafia a ver o vídeo da motocicleta pegando fogo. A noite, o celular ficará carregado na tomada ao lado da cama, sensível a qualquer tremidinha. O seu chefe irá te achar, o seu cliente poderá reclamar, a notícia ruim tende a chegar. E se não chegar você ficará nervoso também, tentando, que nem um doido, atualizar a página… Se o homem já dormia de olhos abertos na idade média, por conta das expectativas de uma invasão, imagina agora, que a invasão é virtual…

Há momentos em que o melhor a se fazer é desligar… Desligar todos os aparelhos da casa, desligar as redes sociais, desligar da roda de fofoca do condomínio e, principalmente, se desligar e se destrair… seja na piscina do sítio em um final de semana ou no churrasco na laje, com os amigos do peito, onde a única coisa que merece ser ligada ainda não foi substituída pelas funções do iPhone, que é a churrasqueira.

por Aguinaldo Oliveira

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