Conversei hoje com uma amiga pedagoga, pela manhã na padaria. Ela me falou um pouco sobre o comportamento totalmente imediatista das crianças. Segundo minha amiga, as crianças pensam exclusivamente no presente. Passado pra elas são somente os traumas e futuro é, no máximo, “aonde eu vou brincar amanhã”. Ela quis dizer que as crianças tem um único estimulo para agir: o que é mais confortável agora.

Tanto que, quando uma criança não quer ir a escola, de nada adianta dizer a ela que se não for vai ficar “burra” ou que não vai conseguir emprego. Crianças não pensam nisso, mas sim exclusivamente em fazer agora o que lhes dá prazer. Por outro lado consegue-se algum resultado quando diz-se que se não tirar nota terá que ficar ainda mais tempo na escola devido a recuperação, pois essa ameaça é para um futuro muito próximo, que já se consegue enxergar.

Os termos “maduro” e “imaturo”, antônimos que são, partem desta característica, a de pensar ou não como criança. De acordo com a idade da pessoa, presume-se que ela tenha uma determinada condição de decidir por ações que facilitem seu futuro. Quando são maduras elas agem de maneira que suas ações não prejudiquem a continuidade de seu bem estar, abrindo mão de determinados prazeres imediatos para poder melhorar suas vidas após alguns anos. Quando são imaturas elas nem ligam pra isso.

Imaturidade então é quando um ser age aquem do que se espera para a sua idade cronológica. Maturidade é a capacidade de escolher pensando no todo. A imaturidade explica um vendedor que mente para vender, mesmo sabendo que perderá o cliente enganado quando ele descobrir a mentira. Explica o cidadão que estraga o meio ambiente mesmo sabendo que terá dificuldade de viver em um mundo degradado. A maioria dos problemas sociais que vivemos está ligado ao fato de haver pessoas adultas que pensam e agem como crianças, incluindo letrados e estudiosos.

Numa entrevista que li com o escritor Fernando Dolabela, ele dizia que em alguns lugares já se ensina o empreendedorismo na escola desde o fundamental. Na opinião deste cronista, este é o caminho: desenvolver na criança a capacidade de planejar. Respeitar as faixas etárias (o que é muito comum nos dias atuais) mas também preparar o aluno para que ele possa voar. Quanto mais empreendedorismo responsável e maduro tivermos em nosso dia a dia, mais preservaremos nosso planeta, nosso mundo e nossa sociedade.

Por Aguinaldo Oliveira

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