HomeArticulistasAdriana SartoriA alimentação Saudável -um bom hábito que pode levar a “doença”

A alimentação Saudável -um bom hábito que pode levar a “doença”

Você conhece pessoas que demonstram verdadeira fixação em alimentar-se de forma saudável e que chegam a gastar mais de três horas do seu dia em torno da dieta. Não aceitam alimentos com herbicidas ou pesticidas, corantes ou conservantes, alimentos geneticamente modificados e que têm o sal e açúcar como altamente prejudiciais, sendo que as características mais evidentes são: demonstrar achar-se superior e ter um enorme desprezo por aqueles que não compartilham do mesmo tipo de alimentação?
– “Observava com desprezo àqueles que comiam batatas fritas e chocolates como meros animais reduzidos à satisfação dos seus desejos. Mas não estava satisfeito com a minha virtude e sentia-me sozinho e obcecado. Evitava a prática social das refeições e obrigava-me a esclarecer familiares e amigos acerca dos alimentos” (o relato é de um portador do transtorno Ortorexia)
Ortorexia é um transtorno que vem sido descrito desde 1997, por alguns estudiosos de transtornos alimentares, como um transtorno do mesmo tipo que a Bulimia e Anorexia Nervosa, ainda não está classificado pelos órgãos de Saúde e não constam em manuais como Cid-10 ou DSM-IV.
Contudo as caraterísticas da doença já estão classificadas, como por exemplo, utilizar de rituais na cozinha, tais como: somente utilizar utensílios de cerâmica ou madeira, contar a mastigação, ter preferência por comer sozinho, ter uma ideia especifica do que é saudável, sendo que as crenças individuais sempre são levadas em consideração; sentir-se seguro e confortável, além de tranquilo quando conseguem a alimentação orgânica, ecológica, funcional ou com certificado de salubridade.
O grande objetivo é manter o organismo em plena harmonia, ser puro e natural, ter um corpo magro, eliminando sintomas físicos, reais ou exacerbados, neste sentido o prazer na alimentação é totalmente posto de lado. O que se sabe é que, com o passar do tempo a dieta se torna o centro da vida da pessoa e impossibilita a convivência natural com os outros, pois necessita de um enorme autocontrole para se manter totalmente alternativo a sua cultura.
O grupo de pessoas mais suscetíveis ao transtorno são as adolescentes, que já apresentam gostos por deitas da moda, alimentos alternativos, ou seja, vegetarianos ou adeptos da dieta macrobiótica, além dos atletas de diversas modalidade e os indivíduos com traços de personalidade fóbicas e obsessivos, pessoas ansiosas e aquelas que cultuam o corpo, ser perfeccionistas, exigentes consigo mesmo, minucioso, necessitar de autocuidados e de proteção, reforçam o diagnóstico.
As complicações se deve ao sentimento de culpa exacerbado, quando comem coisas que não consideram saudáveis, sendo que para eles o melhor seria não ter comido nada, nesse sentindo o comer saudável domina a vida da pessoa que passa a escolher os programas de acordo com o cardápio ou passa horas elaborando, adquirindo e preparando as refeições. Sentem-se isolados e insatisfeitos com a própria condição, além de praticamente gastar horas tentando convencer o outro de que esse é o melhor jeito de se alimentar.
O que fica em mente quando nos deparamos com alguém portador de ortorexia é que eles “passam a vida tentando ser extremamente saudáveis, mesmo que isso lhes custe a saúde”
A terapia ajuda a encontrar um equilíbrio entre todos esses sintomas, levando-o a manter a vida saudável, dentro do que é aceitável como limites da nossa cultura e sociedade.

por Adriana Sartori

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