HomeJundiaíEstradas de ferro e imigração iniciaram desenvolvimento da cidade

Estradas de ferro e imigração iniciaram desenvolvimento da cidade

Os ingleses construíram uma estrada ligando Jundiaí ao Porto de Santos para escoar produção de café do interior

Apesar de Jundiaí ter crescimento que pode ser considerado normal desde sua fundação e nos 200 anos seguintes, a construção de uma estrada de ferro pelos ingleses foi decisiva para impulsionar o progresso da cidade. A São Paulo Railway Company Limited (SPR), inaugurada em fevereiro de 1867, sete anos após o início da construção e dez meses antes do prazo previsto, foi fator determinante para o desenvolvimento.

Cinco anos depois, os fazendeiros e políticos paulistas inauguraram outra estrada de ferro, a Companhia Paulista, com sede em Campinas e trilhos até Jundiaí. Era a logística da época: o café produzido no interior era levado até Campinas, embarcado nos trens que vinham até Jundiaí, e daqui seguiam para o Porto de Santos, para ser embarcado em navios com destino à Europa e Estados Unidos.

O fato de haver caminhos para chegar e partir trouxe para a Capital e para Jundiaí milhares de imigrantes, principalmente italianos, e facilidade de industrialização – ficou fácil importar o maquinário e embarcar a produção. A mão de obra imigrante, trazida a princípio para a lavoura (para substituir a mão de obra escrava) foi aos poucos levada para a indústria, aumentando a população da cidade.

Uma epidemia em Campinas colaborou para que a Companhia Paulista tivesse sua sede transferida para Jundiaí. Funcionou durante décadas onde hoje é o Complexo Fepasa. A SPR passou a se chamar Estrada de Ferro Santos a Jundiaí em 1947, passando a integrar a Rede Ferroviária Federal.

A facilidade de transporte incentivou muitos empreendedores a trazer seus negócios para Jundiaí. A Argos Industrial, a princípio somente tecelagem, foi fundada em 1904. Tinha em seu pátio extensões de trilhos da estrada de ferro, e por ela recebia algodão e despachava seus tecidos.

Mas antes disso, a situação era bem diferente. Durante séculos 17, 18 e início do 19, a economia da cidade se limitava a pequenas lavouras, que abasteciam moradores da vila, tropeiros e bandeirantes. Na época, a região era formada por várias sesmarias pertencentes à Capitania de São Vicente, conhecida como Portão do Sertão. Era o caminho de muitas entradas e bandeiras. Durante longo período, a escravidão indígena foi a base da mão-de-obra local, embora essa prática fosse proibida por lei e instigada pelos jesuítas.

Na época, a cidade tinha quatro ruas centrais – Direita (atual Barão de Jundiaí), do Meio (Rosário), Nova (Senador Fonseca) e Boa Vista (Zacarias de Góes). As melhores casas eram de taipa e terra, enquanto os moradores mais humildes usavam o pau a pique, cobertas por sapé. Somente com a chegada dos imigrantes passou-se a usar alvenaria como nos dias atuais.

Possuía a Capela de Nossa Senhora do Rosário (hoje no mesmo lujgar está o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa), o Hospício dos Beneditos e o Mosteiro de São Bento, um dos poucos monumentos sobreviventes. O abastecimento de água era feito de forma rudimentar, por meio de bicas públicas. Candeeiros de querosene eram responsáveis pela iluminação. Eles ficavam suspensos nas paredes, acesos no final da tarde e apagados ao raiar do sol.

Um dos pontos comerciais mais movimentados era o Largo do Rocio, hoje Praça da Bandeira. Dentre as atividades agrícolas, a cana-de-açúcar era o destaque, mas a produção era utilizada para a fabricação de aguardente.

No começo do século 18, o número de escravos indígenas e de escravos de origem africana já era praticamente o mesmo, mas a partir da segunda metade do século, a quantidade de africanos se multiplicou, até que a mão-de-obra indígena foi totalmente abandonada. À medida que o número de africanos aumentava, também cresciam os focos de resistência. Há poucos registros históricos sobre a vida desses trabalhadores. Em 28 de Março de 1865 Jundiaí foi elevada à categoria de cidade.

A partir da segunda metade do século 19 a produção cafeeira ganhou força para o oeste e isso promoveu o crescimento da cidade. Junto com o café vieram a ferrovia e as indústrias. A Santos-Jundiaí foi inaugurada em 1867, época em que aparecia a crise do escravismo e a consequente alta do preço do escravo.

Os grandes produtores rurais passaram a buscar novos trabalhadores e teve início o processo de imigração, com participação direta do Governo Federal. Os primeiros foram os italianos, que se instalaram preferencialmente na região da Colônia, no Núcleo Barão de Jundiaí, incentivado pelo então presidente da Província de São Paulo, Antônio de Queiroz Telles (Conde de Parnaíba), filho do Barão de Jundiaí.

Depois, outros europeus foram instalados no comércio e na lavoura e alguns passaram rapidamente de colonos a proprietários, aumentando a atividade agrícola. A imigração estimulou o crescimento comercial e industrial e, ainda, do segmento de serviços e infraestrutura urbana. Enquanto isso, Jundiaí ia se destacava como uma cidade estratégica no setor ferroviário, com a instalação da Ferrovia Santos-Jundiaí (em 1867), a Companhia Paulista de Estradas de Ferro (1872), da Companhia Ituana (1873), da Companhia Itatibense (1890) e a Companhia Bragantina (1891).

Conforme censo feito pelo Governo Federal, em 1920 Jundiaí possuía população de 44.437 habitantes. O abastecimento de água passou a funcionar em 1881. A energia elétrica chegou em 1905 e o telefone em 1916. Os imigrantes, de origem oriental, principalmente os japoneses, chegaram à cidade nas décadas de 1920 e 1930.

A industrialização de Jundiaí acompanhou as vias de circulação. Com isso, as indústrias se concentravam nas regiões próximas à ferrovia e às margens do Rio Guapeva, atendendo principalmente os segmentos têxtil e cerâmico. Nos anos 1930 e 1940, houve novo impulso industrial e após a inauguração da Rodovia Anhanguera, em 1948, mais empresas procuraram a cidade, aproveitando também a abertura da economia ao capital estrangeiro em 1950. Foi nessa época que vieram para Jundiaí as indústrias metalúrgicas.

Com o fim do trabalho escravo no País, os grandes senhores da terra de São Paulo passaram a investir na mão de obra dos imigrantes europeus, que fugiam dos problemas na Europa, como fome e guerras. Jundiaí recebeu grande número de italianos e, para abrigar as famílias de imigrantes foram criados na cidade, por iniciativa do presidente da Província de São Paulo, Antônio de Queiroz Telles, o Conde do Parnaíba, quatro núcleos coloniais, entre eles o Barão de Jundiaí, que deu origem ao bairro da Colônia.

Em 1887, 22 colonos italianos chegaram ao núcleo Barão de Jundiaí e em poucos meses, esse número chegava a quase 100 pessoas. O cotidiano não era nada fácil: chegavam ao Brasil apenas com as roupas do corpo e poucos bens – as passagens foram pagas pelo Governo. Com trabalho, as famílias italianas foram criando seus próprios meios de vida, cultivando terras, criando seus filhos. Muitos grupos conseguiram comprar pequenos lotes, montaram armazéns, organizaram várias culturas, principalmente de milho, feijão, arroz, batata, legumes, frutas, especialmente uva.

Fotos do acervo do Professor Mauricio Ferreira




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