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Editorial: Pacotes econômicos são conversa mole

Na semana passada, o governo anunciou novas medidas para melhorar a economia do país. Como todos os governos anteriores (e futuros também) as medidas são outra conversa mole, outro faz de conta, outra enganação. É mais uma forma de empurrar os problemas com a barriga. Como os demais presidentes, Temer não resolve absolutamente nada.

Qualquer cidadão, por mais ignorante e desinformado que seja, sabe que os problemas a serem resolvidos são outros, mais visíveis e mais simples. Sabe também que não dá pra confiar nesse bando que se apossou do poder, e que políticos são todos iguais.

É no mínimo incoerente a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil patrocinarem clubes de futebol. Se houvesse dinheiro sobrando a história seria outra. Mas falta dinheiro, e clube de futebol precisa aprender se virar sozinho. Também é incoerente essas estatais patrocinarem esporte amador.

Amador de araque. Atletas considerados amadores ganham fortunas, e de amadorismo não têm nada. Não há desculpas nem justificativas. Futebol não precisa de incentivo, não precisa de patrocínio do governo. Jogadores semi-analfabetos ganham fortunas; dirigentes de clubes roubam fortunas.

Todas as medidas econômicas tomadas até agora, em toda a história do Brasil, exigiram sacrifícios da população. Todas, sem exceção. Desde o descobrimento o povo paga o pato. Não se fala em diminuir número de senadores e deputados; menos ainda de diminuir seus salários e suas mordomias.

Exemplo inquestionável: a Casa Branca, sede do governo americano, tem 450 funcionários. O Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, tem quatro mil. Só dez vezes mais. E lá nos EUA tudo funciona. Aqui nada funciona.

Medidas econômicas não vão salvar o país nunca se a roubalheira e as mordomias continuarem do jeito que estão. Por que um deputado precisa de carro oficial, com motorista e segurança? Por que precisa de verba de gabinete? Porque o Supremo Tribunal Federal tem um banco de aspones ganhando mais R$ 20 mil por mês só para empurrar a cadeira do ministro e carregar sua toga?

Esse desespero do governo tem uma explicação. Como ninguém mais acredita, confia ou espera alguma coisa do governo, ninguém está pagando imposto. Todo mundo está comprando sem nota fiscal (um negócio interessantíssimo pra quem vende pra quem compra), evitando usar cartão de banco e enrolando onde pode.

O resultado é que a arrecadação caiu, e sem o dinheiro do imposto o governo não tem onde roubar nem produzir. Se é que governo produz alguma coisa a não ser asneiras. Por isso criam medidas econômicas, como forma de arrancar mais dinheiro da população. Até o imposto do cheque, a maldita CPMF, estão tentando trazer de volta.

Para arrumar a economia do país só precisa de uma coisa: vergonha na cara. Havendo isso, tudo será consequência. Mas enquanto tivermos raposas tomando conta do galinheiro, a situação só vai piorar. E é bom que piore, e muito. Aí teremos a anarquia total.




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