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Direito de não ser incomodado

Existem inúmeras frases prontas para definir o limite do incômodo. Talvez a mais apropriada seja esta: sua liberdade termina onde começa a minha. Pouca gente deve estar levando isso a sério. Basta observar o comportamento de pessoas em lugares públicos, suas atitudes em circunstâncias mais liberais.
Basta seu time favorito ganhar alguma coisa para espoucarem rojões, não importa a hora, como se todos fossem obrigados a aturar tal comemoração. Rojões sempre precedidos de gritos de ordem, de chavões de péssimo gosto e de palavrório próprio de bordéis.
Esse é um exemplo, mas o que dizer de jovens que andam em ônibus obrigando os demais passageiros a ouvir seus funks grosseiros e vulgares? Mesmo sendo proibido, isso acontece diariamente. E que ninguém ouse reclamar – a resposta está pronta: estou pagando, tenho direito. Não tem, acha que tem.
Em restaurantes grupos se esbaldam em suas comemorações. Cantam, falam alto, fazem gracinhas sem graça, obrigando os demais clientes a suportarem sua falta de educação. Chamam garçons aos berros, tiram fotos com seus celulares para postar em redes sociais sua alegria – acompanhada de um prato com resto de pizza.
Levam crianças mal educadas consigo, refletindo claramente o comportamento existente dentro de casa. Crianças que correm, gritam, choram – como se os demais fossem obrigados a participar dessa orgia de cascas grossas. E a culpa não é das crianças. É dos pais que não educam.
De pais que, mesmo vendo a balbúrdia dos filhos, nada fazem. Ao contrário, fazem de conta que não é com eles. E o que dizer de pessoas que usam aparelhos Nextel com viva voz? Não têm noção de horário nem de lugar. Parecem fazer questão que todos vejam e ouçam suas conversas, totalmente inúteis. Como se um Nextel fosse símbolo de status.
Mulheres pouco acostumadas a deixar a cozinha nos fins de semana fazem de sua ida a shoppings ou restaurantes um programa inesquecível. Não só para elas, mas para todos que estejam por perto, tamanha a intensidade dos perfumes baratos. As mesmas mulheres que se incomodam quando alguém acende um cigarro a quilômetros de distância.
O Congresso Nacional, que nada produz a não ser escândalos, poderia criar uma lei que ajudaria muito elevar o nível da educação de boa parte dos brasileiros: proibir em lugares públicos crianças mal educadas, perfume forte e telefone Nextel. Seria um bom começo para resolver futuros conflitos. Paciência também tem limite.

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