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Editorial: Crise ou falta de vontade?

Não se aguenta mais o queixume de alguns “empresários” sobre a situação econômica, sobre crise e sobre falta de clientes. Não se aguenta mais gente reclamando que não tem oportunidade de trabalho, que falta compreensão do empresariado. É tudo culpa do governo, dos impostos, dos bancos.
Calma lá. Há casas que habitualmente funcionavam somente à noite, mas que resolveram abrir para almoço. Uma delas, por sinal, numa região carente de restaurantes. Durou pouco tempo a novidade – por falta de clientes, voltou ao esquema original da bebedeira noturna.
Num determinado lugar, duas mocinhas conversavam animadamente, falando de seus problemas, enquanto clientes aguardavam ser atendidos no balcão. Noutro, a vendedora atendeu o cliente digitando mensagens no celular. Um pouco de atenção ao cliente, e muita atenção sobre o que rolava no Facebook.
O caso do sujeito que abriu para almoço e resolveu parar por falta de clientes: ninguém ficou sabendo. Não fez um panfleto, não fez um anúncio em jornal ou rádio. Pensava, talvez, que os interessados fossem videntes ou advinhos.
O caso das mocinhas que atendem pessimamente mal – todas perderam o emprego depois das reclamações. Talvez estejam agora se queixando que não têm sorte na vida. E então vem a pergunta: será que tudo isso é crise? Está mais para displiscência e vagabundagem do que para crise.
Não que o governo não tenha culpa dessa situação. Tem, e muito. Mas o pessoal colabora para piorar. Um exemplo: embora o comércio esteja autorizado a funcionar até às dez da noite desde o dia 1º, poucas são as lojas de bairros que esticam seu horário. Seus donos dizem não compensar. Mas será que tentaram? Ou só concluiram?
Outros alegam que não têm pessoal disponível para o horário extra. Talvez tenham razão. Muitos que trabalham durante o dia preferem ficar zanzando em corredores de shopping após esse horário do que adequá-lo para outro horário, quando poderiam vender mais e consequentemente ter comissões melhores. O comodismo e a vadiagem os impedem.
Há muito tempo está difícil conseguir gente para trabalhar aos sábados. Há os que preferem ficar em casa, sem nada a fazer, do que trabalhar. Até faxineiras estão fazendo exigências para trabalhar menos e ganhar mais. Qalquer apartamento de dois quartos custa R$ 150 por dia de faxina. Por dia em termos – em menos de meio dia tudo está em ordem.
Mas, cúmulo dos cúmulos foi o sujeito que levou lençol para a lavanderia. Depois de examinar a peça, a funcionária avisou que havia sujeira no lençol, e que não garantia sua limpeza. Em suma: o governo é ruim, mas esse povinho é um pouco pior.

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